Cadeira cativa

Beto. Você já viu Cinema Paradiso?” Demorei a identificar quem era ao telefone. A voz do pai estava diferente, emocionada, como raras vezes eu ouvira.

“Ainda não pai. É bom?”

“Depois que você assistir a gente conversa.”

Pais costumam contar as mesmas histórias aos filhos. A pergunta “já te contei a história ….” é a deixa para repeti-la, sempre com um toque a mais. Das memórias do meu pai, a cadeira de cinema com corrente e cadeado é quase surrealista.

Ele nasceu em Jequeri, pequena cidade da Zona da Mata. “Com exceção de certos usos, todas as cidadezinhas se parecem”, escreveu Balzac em A mulher Abandonada. Na cidade do pai, a igreja fica na Praça Central, imponente, é vista de qualquer ponto. Nas noites de sábado, depois da missa, os mais velhos tomavam o rumo de casa, os jovens iam dar voltas na praça até cansar. Homens andando em um sentido da rua, mulheres em sentido contrário. As mais recatadas faziam o sinal da cruz ao passar pela porta da igreja. Mas nem a ameaçadora cruz da igreja tomando conta do céu era capaz de impedi-las de se entregar ao doce pecado do flerte.

“Ali ficava o cinema.” Disse o pai certa vez, apontando a casa do padre, na praça, do outro lado da rua. Meu pai era o caçula de uma família de oito irmãos. Desde cedo, os filhos homens de Oséias dominaram duas instituições da cidade: tocavam na banda e trabalhavam no cinema. Meu pai, pequeno ainda, acompanhava admirado os irmãos tocando trompete, trombone e clarinete pelas ruas.

“Mas eu gostava mesmo era do cinema. Eu era o único menino da cidade que não pagava ingresso e tinha cadeira cativa. Seu Tio Zezé era o projecionista. Seu Tio Nadir, porteiro. Eu contava nos dedos os dias para ver os seriados de Flash Gordon e Buck Rogers na sessão de sábado. Chegava sempre em cima da hora. Seu tio me deixava passar pelo lado da roleta. A sessão já estava lotada, os meninos gritando, pulando, jogando papéis nos outros. Eu andava calmamente no meio de todos até a primeira fila, às vezes tropeçando em um ou outro sentado no chão. Na frente de todos, tirava a chave do bolso, abria o cadeado e desenrolava a corrente dos braços da cadeira. O Tio Zezé só começava a sessão quando eu me sentava. No dia em que eu chegava atrasado, o filme demorava a começar. Enquanto morei na cidade, ninguém mais sentou naquela cadeira, na primeira fila. Se eu não fosse ao cinema, a cadeira ficava vazia, fechada a corrente e cadeado…”

Saí tarde da sessão de Cinema Paradiso. Era noite de inverno, fiquei parado alguns minutos em frente ao cinema, as mãos cruzadas apertando a blusa no peito. Depois de assistir à Cinema Paradiso é quase impossível não pensar na cena do cineasta Salvatori vendo a edição das cenas cortadas de beijos. Mas outras cenas se confundiam na minha cabeça: meu pai menino chegando na porta do cinema, Tio Nadir passando a mão em sua cabeça e deixando-o entrar sem pagar; Tio Zezé na cabine espiando pela abertura o irmãozinho tirar a corrente e sentar-se; um bando de meninos gritando e pulando de emoção a cada cena do filme naquela cidadezinha do interior.

No outro dia, passei na casa do pai.

“Pai, fui assistir Cinema Paradiso ontem.” Ele esperou alguns segundos, os olhos brilhando.

“Já te contei a história da minha cadeira com corrente e cadeado no cinema?”

O justiceiro

A população de uma cidade do estado de Connecticut (mas poderia ser qualquer outra, como anuncia o narrador) está revoltada contra o assassinato de um querido pastor. O assassinato do reverendo é frio e brutal: tiro disparado em sua nuca, à queima-roupa, no início da noite, em movimentada rua da cidade. Seis testemunhas dizem ter presenciado o crime, mas a única evidência do autor é que ele usava chapéu preto e sobretudo também escuro. Como milhares de outros americanos.

Elia Kazan faz sua incursão pelo cinema noir quase em estilo documental, respeitando os cânones do gênero: fotografia noturna em preto e branco, gravação em interiores, o narrador, um crime, policiais que transitam sem rumo pelo submundo. Pressionada pelo poder público, a polícia prende um suspeito e O justiceiro ganha os rumos de filme no tribunal.

Dana Andrews está perfeito como o promotor em dúvida sobre a culpa do acusado, sua performance no tribunal, reconstituindo o crime como investigador perspicaz é perfeita. Revela as falhas da polícia, das testemunhas sugestionáveis, do sistema em busca de sustentação política, mesmo que para isto seja preciso condenar um inocente. Um filme para pensar sobre a justiça.

O justiceiro (Boomerang, EUA, 1947), de Elia Kazan. Com Dana Andrews, Jane Wyatt, Lee J. Cobb.

Ludwig

A minha dissertação no mestrado de cinema tratou dos cortes impostos pelos produtores nos filmes. Escrevi sobre filmes que tiveram finais modificados após serem submetidos a sessões de pré-testes. Assunto inesgotável, basta ver em alguns bons extras de DVD. A indústria do DVD trouxe duas vantagens ao cinema: a restauração de filmes antigos, alguns praticamente deteriorados, e a inclusão de depoimentos, entrevistas, comentários – histórias que ajudam cinéfilos a conhecer mais sobre cinema.

Ludwig (Itália/Alemanha/França, 1972), de Luchino Visconti, sofreu com a prática imposta por produtores de cortar o filme objetivando aceitação comercial. Após a montagem final, Visconti entregou Ludwig aos produtores com cerca de 4h10 de duração. Uma história grandiosa, passando pelos 25 anos de reinado do Rei Ludwig da Baviera.

O Rei Ludwig ficou famoso pela excentricidade, alguns classificaram de loucura. O rei foi um mecenas das artes, financiou grandes obras do compositor alemão Richard Wagner, chegando a construir um teatro especialmente para o músico. Era um soberano solitário, em conflito com sua sexualidade, cena do filme mostra Ludwig (Helmut Berger) fascinado e perturbado ao ver um de seus serviçais nadando nu no lago. Pouco depois, ele demite o empregado sem explicações e pede a mão da princesa Sophie, da Áustria, em casamento (o noivado foi rompido mais tarde e o rei nunca se casou).

Ludwig se afastou progressivamente do governo de seu reino para se dedicar a obras suntuosas, construindo grandes castelos na Baviera, dos mais belos da Europa, imponentes projetos arquitetônicos. Devido a essas excentricidades, Ludwig ficou conhecido como o “rei dos contos de fadas”, ou “rei lunar”. Era adorado por seu povo.

Acabou afastado do reinado, acusado de não ter condições psicológicas de governar. Após longo processo investigativo, o  gabinete de governo de Ludwig atestou, com apoio dos médicos da corte: o rei está louco. O fato tem repercussões políticas mais abrangentes. É o período de consolidação do poder de Bismarck, primeiro-ministro da Prússia e comandante da unificação da Alemanha. Pouco depois de seu afastamento, Ludwig foi encontrado morto em um lago, junto com seu médico particular, em circunstâncias nunca esclarecidas. Tinha 40 anos de idade.

O filme conta essa história com a beleza, a suntuosidade, a primorosa reconstituição de época, características do diretor Luchino Visconti. Ludwig é interpretado por Helmut Berger, companheiro do diretor na época. Romy Schneider volta ao papel que a consagrou no cinema, interpretando a Imperatriz Sissi, da Áustria. Está bela no papel de uma Sissi madura, sedutora, deprimida, consciente do papel que representa na história de conflitos de poder. Ela diz a Ludwig, “nós só seremos lembrados se formos assassinados.” Sissi foi assassinada por um fanático, em 1898, em Genebra.

Quando terminou a montagem de Ludwig, Luchino Visconti sofreu uma trombose. Os produtores, inconformados com as mais de quatro horas de duração do filme, aproveitaram o afastamento do diretor e promoveram uma série de cortes na película. Chegaram à montagem final com cerca de três horas de duração. Para tornar o filme mais “comercial”, cortaram mais de uma hora da história.

O filme foi lançado e críticos afirmaram que a história era incompreensível. Ludwig foi retumbante fracasso de público e crítica. Suso Cecchi D’Amico, grande amiga de Visconti, conta que o diretor, já perto da morte, a convidou para assistirem juntos a todos os filmes que fizera. Suso trabalhou em vários filmes de Visconti como roteirista. Segundo a roteirista, Luchino Visconti se recusou a assistir Ludwig.

A restauração

A história da restauração tem o toque dos apaixonados por cinema. Suso Cecchi leu anúncio em jornal informando que a produtora estava em processo de falência e iria leiloar Ludwig. A roteirista foi aos arquivos da Technicolor e descobriu os negativos cortados pelos produtores, já bem deteriorados. De posse dos negativos, Suso reuniu um grupo de colaboradores de Visconti, entre eles Enrico Medioli, também roteirista do filme, e os convenceu a participar do leilão, com o objetivo de comprar e  restaurar o filme. Visconti já havia morrido, em 1976.

Durante o leilão, o grupo descobriu que o valor era muito alto. Havia um milionário italiano presente, colecionador de filmes. O leiloeiro, ciente da intenção do grupo de amigos, interrompeu os lances, reuniu todos os participantes e propôs um acordo: eles comprariam o filme em conjunto e promoveriam a restauração. A proposta foi aceita pelos demais participantes.

Em 1978, o filme foi relançado com quase 4 horas de duração, cerca de 15 minutos a menos da versão de Visconti. Os roteiristas e o montador do filme participaram de todo o processo, respeitando as marcações originais do diretor. Como os atores de Ludwig são de várias nacionalidades, foi preciso dublar novamente o material anteriormente cortado.

O resultado da restauração é um filme magnífico. História que trata de sonhadores num mundo em transformação. O resultado é um filme de Luchino Visconti.

Referência: LUDWIG. Luchino Visconti, Itália/Alemanha/França, 1972. Versátil Home Video. Extras do DVD.

O leão no inverno

No final de O Leão no inverno (The lion in winter, Inglaterra, 1968), a rainha Eleanor (Katharine Hepburn) se entrega ao desespero, dizendo “Quero morrer, quero morrer”. O rei Henry (Peter O’Toole) a consola: “Você vai morrer algum dia, sabia disso? Espere mais um pouco e acontecerá”. Ela sorri.

Pouco depois, ao se despedirem, Henry grita para Eleanor que se afasta em um barco, “Sabe, espero nunca morrermos.” “Eu também”. Henry então grita, expressão de espanto, “Acha que isso é possível?” e começa a gargalhar, abre os braços e ri sem parar. Eleanor também ri abertamente no barco, um dos braços estendidos.

O leão no inverno segue a tradição cinematográfica da Inglaterra de adaptar grandes textos teatrais da língua inglesa. O filme se passa quase inteiramente no interior do castelo, gira em torno dos conflitos para a sucessão do rei Henry que deve escolher entre seus três filhos. Escolha que leva a degradação e disputas fratricidas.

É um filme lento como muitos filmes que seguem a estrutura teatral. Sua força está no texto e nas interpretações de dois atores consagrados que incorporam essa iminente aproximação da morte. O embate entre Katharine Hepburn e Peter O’Toole remete ao desperdício da vida e à falta de esperanças.

O filme, dirigido por Anthony Harvey, foi indicado a sete oscars e ganhou três, incluindo a terceira estatueta de melhor atriz para Hepburn (ela ainda ganharia mais uma, até hoje a recordista nesta categoria). É um filme que se deve assistir duas, três vezes, prestando atenção nas frases, anotando, se deixando levar pela desilusão serena destes dois grandes personagens (atores) “Nós dois estamos vivos. E pelo que eu entendo, isto é esperança.” – diz Henry olhando para o vazio.

Operação skyfall

Em uma cena do filme Hitchcock (EUA, 2012), o produtor informa ao famoso diretor que estão querendo contratá-lo para dirigir Cassino Royale, baseado em livro de Ian Fleming. Hitchcock responde que já dirigiu um filme assim, se referindo a Intriga Internacional (1959).

Com Intriga internacional, Hitchcock praticamente lançou o estilo de filmes modernos de ação, influência direta para a série 007. Ainda no recente filme sobre o mestre do suspense, Hitchcock se depara com críticas considerando exagerado o final de Intriga internacional. Locações em várias cidades, um protagonista charmoso, perseguições mirabolantes e ações exageradas estão no filme de Hitchcock assim como em toda película de James Bond.

Operação skyfall (Skyfall, EUA, 2012), de Sam Mendes. segue a risca os clichês que fazem de James Bond um dos personagens mais cultuados do cinema. Mas há um aspecto que me incomoda desde Cassino Royale (2006): a seriedade carrancuda que Daniel Craig impôs ao personagem. A crítica saúda este estilo como a humanização de Bond. O agente agora está entregue à fragilidade diante de questões contemporâneas como terrorismo e tortura. Ele sofre física e psicologicamente como qualquer um de nós. Gosto mais do James Bond de Sean Connery e Roger Moore: irreverente, despretensioso, irresistivelmente charmoso, irretocável e não ligando a mínima para sofrimento ou a possibilidade da morte.

Parte desta crítica também elegeu Skyfall como o melhor filme de toda a série, exagero. O filme tem uma sequência final das mais belas, estética fascinante das terras geladas da Escócia combinada com ação envolvente. Mas de resto, é normal e despretensioso como qualquer outro Bond, com o agravante de uma solução comum de roteiro: o bandido que se deixa prender para entrar no QG do inimigo e depois empreender fuga espetacular.

A tecnologia cada vez mais avançada e as infinitas possibilidades de manipulação da imagem e dos efeitos fazem com que determinados filmes deste tempo se sobressaiam no quesito cenas espetaculares. A tendência é James Bond ficar mais e mais empolgante, mas isto não transforma os filmes recentes em melhores da série. O fato de um personagem mais humano muito menos, pois James Bond não é personagem comum.

Termino com a difícil lista dos meus filmes favoritos de 007, colocando, é claro, Intriga internacional de Hitchcock como hors concours.

007 contra a chantagem atômica (Thunderball, 1965) Terence Young

007 contra Goldfinger (Goldfinger, 1964) Guy Hamilton

007 contra o satânico Dr. No (Dr. No, 1962) Terence Young

007 o espião que me amava (The spy who loved me, 1977) Marvin Hamlisch

007 os diamantes são eternos (Diamonds are forever, 1971) Guy Hamilton

007 somente para seus olhos (For your eyes only, 1981) John Glenn

007 a serviço secreto de sua majestade (On her majesty’s  secret service, 1969) Peter Hunt

Vidro

O justiceiro David Dunn é preso e encaminhado a uma instituição psiquiátrica. No mesmo local, estão internados Vidro Elijah e Kevin, junto com suas 24 personalidades. O ousado roteiro de M. Night Shyamalan reúne os personagens de Corpo fechado e Fragmentado, cujos dons são estudados pela Doutora Ellie Staple. Cada um está enclausurado em um quarto com dispositivos que evitam o uso dos poderes. O problema é que Vidro tem um plano: colocar David e Kevin frente a frente em batalha épica.

M. Night Shyamalan encerra trilogia iniciada em 2000. James McAvoy continua com seu show particular na interpretação das diversas personalidades;  Bruce Willis interpreta um justiceiro contido e amargo; Samuel L. Jackson é o retrato da personalidade fechada em si mesma, pronta para explodir a qualquer momento. O universo dos quadrinhos é homenageado mais uma vez. 

Vidro (Glass, EUA, 2019), de M. Night Shyamalan. Com James McAvoy (Kevin), Bruce Willis (David Dunn), Samuel L. Jackson (Vidro Elijah)., Saraha Paulson (Ellie Staple).

A longa caminhada de Billy Lynn

Guerra do Iraque. O jovem soldado Billy Lynn tenta salvar o Sargento Dime de um ataque inimigo nas ruas da cidade, se confrontando sozinho com guerrilheiros iraquianos. O ato é registrado pelas câmeras de um fotógrafo, Billy Lynn é considerado herói e vira celebridade nos EUA. Para homenagear a equipe Bravo, regimento da qual o soldado faz parte, o presidente Bush organiza recepção durante um jogo de futebol americano.

A longa caminhada de Billy Lynn narra este único dia na vida dos soldados: primeiro o encontro de Billy com sua família, depois no estádio de futebol. Flashbacks reconstituem as memórias e sensações do soldado herói no Iraque. O diretor taiwanês Ang Lee compõe uma peça crítica e melancólica dos jovens sem rumo após os ataques de 11 de setembro, praticamente forçados à guerra contra o terror (Billy Lynn é obrigado pelo pai a se alistar para fugir da acusação de delinquência juvenil). A câmera no rosto de Billy em vários momentos constrangedores das homenagens no estádio, depois entrando nas memórias da guerra do Iraque, alertam para este país centrado nas aparências, nos devaneios midiáticos. Aos soldados cabe apenas se amparar uns nos outros, como na simbólica sequência final dentro da gigantesca limusine.

A longa caminhada de Billy Lynn (Billy Lynn’s long halftime walk, EUA, 2016), de Ang Lee. Com Joe Alwyn (Billy Lynn), Kristen Stewart (Kathryn), Garret Hedlund (Dime), Vin Diesel (Shroom).

A cordilheira

Hotel na Cordilheira dos Andes, Chile, sedia a cúpula de presidentes dos países da América do Sul e da América Central. O objetivo é criar organização para exploração das reservas de petróleo na região. Oliveira Prete, presidente do Brasil, é o influente líder, pois o país concentra grande parte das reservas e detém a maior empresa petrolífera. 

A cordilheira concentra a narrativa na cúpula, com a trama centrada em Hernán Blanco, presidente da Argentina. Homem comum, alçado à presidência após governar pequena província do país, Blanco é o curinga das negociações que envolve o inescrupuloso presidente mexicano e os interesses dos americanos em controlar a exploração do petróleo em todas as Américas.

Um mistério do passado do presidente argentino pontua a narrativa quando entra em cena Marina, filha de Hernán Blanco. Os problemas psicológicos de Marina apontam para questões do passado que podem ou não ter acontecido. Na cúpula, a trama aponta para jogos de interesses, negociatas e interesses políticos determinados pelo poderio econômico.   

A cordilheira (La cordillera, Argentina, 2017), de Santiago Mitre. Com Ricardo Darín (Hernan Blanco), Dolores Fonzi (Marina), Oliveira Prete (Leonardo Franco), Erica Rivas (Luisa Cordero). 

A esposa

Filme abre com o casal Joan e Joe Castleman recebendo ligação informando que o escritor Joe receberá Prêmio Nobel de Literatura. A trama narras os conflitos do casal, envolvendo o filho também escritor, durante a viagem para receber o prêmio. 

Glenn Close foi indicada ao Oscar de melhor atriz e praticamente carrega o filme. A princípio, os conflitos indicam traumas em família: a infidelidade de Joe, a frustração do filho escritor que sente a sua literatura desprezada pelo pai, a necessidade de afirmação de Joan diante do sucesso do marido. A entrada em cena do jornalista disposto a escrever a biografia do escritor provoca a virada do roteiro, pois Joan pode esconder segredo relacionado a autoria dos textos literários de Joe. 

A esposa (The wife, EUA, 2017), de Bjorn Runge. Com Glenn Close (Joan Castleman), Jonathan Pryce (Joe Castleman), Christian Slater (Nathaniel Bone), Max Irons (David Castleman). . 

Todos já sabem

O diretor iraniano Asghar Farhadi (dos premiados A separação e O apartamento) reúne elenco de peso em Todos já sabem. A narrativa parte da chegada de Laura e seus dois filhos, vindos da Argentina, ao seu povoado natal na Espanha para as festividades do casamento de sua irmã.

O casamento reúne a grande família, amigos de infância, entre eles Paco, ex-namorado de Laura. É o típico filme de drama familiar movido a ressentimentos do passado, amores deixados para trás e segredos perturbadores. A virada da trama acontece na noite do casamento, forçando Laura e Paco a se defrontarem com o segredo que todos já sabem. O cinema de Asghar Farhadi aborda esses universos particulares carregados da complexidade humana; tramas concentradas em pequenos ambientes familiares que dialogam com a cultura de cada país. 

Todos já sabem (Todos lo saben, Espanha, 2018), de Asghar Farhadi. Com Javier Bardem (Paco), Penélope Cruz (Laura), Ricardo Darin (Alejandro), Eduard Fernández (Fernando).