Categoria: 2024

  • Não sou eu

    Não sou eu (C’est pas moi, França, 2024), de Leos Carax. 

    O Museu Pompidou, em Paris, sugeriu a Leos Carax responder à questão: “Onde você está, Carax?” A ideia do museu era promover uma exposição que acabou não acontecendo. No entanto, Carax aceitou o desafio e realizou um filme composto de fragmentos de imagens.

    A auto reflexão de Carax inclui cenas de seus próprios filmes, acompanhadas de questionamentos sobre sua posição como artista, sobre o futuro do cinema e da própria humanidade, sobre o acúmulo irrefreável de imagens que tomam conta de nosso cérebro – seria a morte do cinema? O ensaio visual utiliza ainda fragmentos de filmes clássicos de Hollywood e da Europa, referências a outros realizadores, principalmente Jean-Luc Godard, grande homenageado do filme. 

    Não sou eu foi lançado no Festival de Cannes de 2024, sendo reverenciado como uma colagem experimental, artística, poética, que reflete sobre o poder das imagens, o cinema e as questões políticas que acompanham o processo de criação. 

    “Um humano pisca os olhos entre 15 e 20 vezes por minuto. São 1.200 vezes por hora. E, por dia, 28 mil piscadas. Se não piscassémos, nossos olhos logo ficariam secos. E nós, cegos. Mas as imagens estão ficando cada vez mais rápidas, num fluxo contínuo. Elas não respiram mais, não piscam mais várias vezes por segundo. Elas tentam nos cegar. Sim, nós precisamos piscar os olhos. A beleza do mundo nos impõe isso.” – Leos Carax

  • Acabe com eles

    Acabe com eles (Bring them down, Irlanda, 2024), de Christopher Andrews.

    O solitário e enigmático Michael trabalha como pastor de ovelhas, na propriedade rural da família. Ray, seu pai, adoentado em uma cadeira de rodas, lida com o filho de forma severa e autoritária, administrando a propriedade com mão de ferro. Quando duas ovelhas desaparecem, o conflito se instaura com a família vizinha, também cuidadores de ovelhas, formada por Gary, sua esposa Caroline, e o filho adolescente Jack. 

    Acabe com eles é o filme de estreia do diretor Christopher Andrews e tem na estrutura invertida e na mudança de pontos de vista os grandes trunfos. A primeira parte começa com um acidente de carro que só vai fazer sentido no final da trama. A partir daí, o espectador acompanha a difícil e cruel relação de Michael com o pai até uma noite violenta, quando cerca de duas dezenas de ovelhas têm as patas traseiras arrancadas e Michael precisa sacrificar uma a uma pessoalmente. 

    A segunda parte conta a história até esse momento sob o ponto de vista de Jack, também em conflito com o pai, que está falido e deseja vender a propriedade para um empreendimento imobiliário. Para concretizar o negócio,  Gary precisa que Ray também entre no negócio, pois as terras dele serviriam de passagem para as “casas de férias”.  

    Cabe ao espectador montar este intrincado quebra cabeça que se estrutura em torno das relações entre as duas famílias para retratar a cruel face do sistema capitalista. A necessidade de dinheiro corrói dia-a-dia os sentimentos fraternos e amorosos até tudo explodir em vingança e violência. A sequência da dilaceração e sacrifício das ovelhas, mostradas pelos dois pontos de vista, é de uma tristeza avassaladora. 

    Elenco: Christopher Abbott (Michael), Barry Keoghan (Jack), Colm Meaney (Ray), Nora-Jane Noone (Caroline), Paul Ready (Gary), Aaron Heffernan (Lee).

  • Estômago II: o poderoso chef

    Estômago II: o poderoso chef (Brasil, 2024), de Marcos Jorge. 

    O filme abre com Don Caroglio em pé na ponta de uma grande mesa. Os convidados, todos homens, estão sentados diante de diversos pratos ainda encobertos. À medida que abre cada prato, Don Caroglio discursa sobre o poder dos alimentos e dos homens, até que pára atrás de um dos convidados e o estrangula até a morte. 

    Corta para cena de Raimundo Nonato, o Alecrim, preparando alimentos na cela da prisão. Com pratos nas mãos, Alecrim caminha pelos corredores para servir aos dois mandatários do presídio: o diretor da prisão e Etcétera, líder dos presos. A harmonia dentro do presídio, administrada pelos dois, vai ser quebrada com a chegada de Don Caroglio, líder da máfia siciliana preso no Brasil. 

    Estômago II narra duas tramas paralelas que se cruzam no presídio. Flashbacks contam a história do italiano Roberto, ator e cozinheiro, apaixonado por Valentina, filha de um mafioso. O espectador acompanha a transformação de Roberto no poderoso e violento Don Caroglio. No presídio, a trama segue a violenta relação entre Don Caroglio e Etcetera pela disputa do poder, com Alecrim, cozinhando para os dois lados, funcionando como uma espécie de conselheiro. 

    O filme foi realizado no esquema de coprodução, contando com intérpretes brasileiros e italianos, assim como cenas gravadas nos dois países. O destaque da trama é a ascensão do pacato e apaixonado Roberto em um bandido capaz de explodir seu próprio restaurante e dizimar uma família inteira de mafiosos. Alecrim, com participação menor do que na obra original, dá o tom humorístico da película. 

    Elenco: João Miguel (Raimundo Nonato), Nicola Siri (Roberto/Dom Caroglio). Violante Placido (Valentina Galante), Paulo Miklos (Etcétera), Giulio Beranek (Salvatore Galante). 

  • O solar dos prazeres noturnos

    O solar dos prazeres noturnos (Brasil, 2024), de Matheus Marchetti. 

    O filme abre com plano fechado em Rodrigo Escher (Bruno Germano) pintando um retrato. O modelo é um jovem jornalista, interessado em escrever uma história sobre Rodrigo, ex-ator mirim de sucesso que abandonou a profissão após um surto psicótico no set de um dos programas.

    O próprio Rodrigo conta sua história, assumindo seus problemas psicológicos como uma herança da família. Seus antepassados foram sádicos assassinos, sua mãe sofre com delírios e alucinações, assim como sua irmã. Todos vivem enclausurados em uma suntuosa casa, onde os surtos se convertem em pesadelos de filmes de horror. 

    Referências a contos de Edgar Allan Poe compõem a narrativa. As cenas de sadismo remetem ao universo sedutor dessa histórias do gênero, mesclando sangue e sexo em ousadas cenas do universo LGBTQ+. O final em aberto é outra demonstração que o cinema brasileiro contemporâneo assumiu as convenções estéticas e narrativas do gênero, com a ousadia erótica que marca nosso cinema desde a pornochanchada e o terrir de Ivan Cardoso e José Mojica Marins. 

    Elenco: Com Bruno Germano, Anna Preto, Tuna Dwek, Natan Cardoso,Natt Mazzoni, Vinícius Précoma.

  • A colheita

    A colheita (Harvest, Inglaterra, 2024), da diretora Athina Rachel Tsangari, é baseado no romance de Jim Crace. A história se passa em um período indefinido da idade média, na Inglaterra, em uma pequena área agrícola onde os camponeses vivem dos frutos da terra.  Walter Thirsk (Caleb Landry), narrador da história, presencia e reflete sobre o fim de um tempo, quando as atividades agrícolas deram lugar à privatização das terras e exploração pelos futuros latifundiários. 

    A narrativa se passa praticamente em sete dias, contados a partir do momento que dois invasores são presos no pelourinho e devem cumprir a pena de uma semana. Nesse período, a colônia é tomada por incendiários, um mapeador que delimita as terras para fins políticos e econômicos, líderes da cidade que chegam para exercer seu direito à propriedade, rituais pagãos de colheita, denúncias de bruxaria, mortes e devastação. 

    A direção de fotografia de Sean Price Williams destaca, na primeira parte, a beleza harmônica do convívio com a natureza dos camponeses. À medida que o horror se anuncia, o amarelo agressivo do fogo, o tom do cobre e as sombras da noite tomam conta da estética, anunciando o final lúgubre imposto pelo cruel capitalismo.    

    Elenco: Caleb Landry Jones, Harry Melling, Rosy McEwen, Arinzé Kene, Thalissa Teixeira, Frank Dillane.

  • Bird

    Bird (Inglaterra, 2024), de Andrea Arnold. 

    O cenário é a decadente cidade de Kent, norte da Inglaterra. Bailey (Nikiya Adams), 12 anos, vive com o pai, Bug (Barry Keoghan), um excêntrico e psicodélico jovem que acredita que um sapo gosmento vai proporcionar o dinheiro que precisa, expelindo alucinógenos, para seu casamento. Completam a família de Bug seu filho mais velho Hunter (Jason Buda), sua namorada e a filhinha dela. Todos vivem em um prédio ocupado por diversos outros moradores também marginalizados, como uma mulher que cria cobras. 

    Apesar de criança, Bailey precisa tomar atitudes e decisões adultas: ela tenta cuidar de seus três irmãos mais novos que vivem com a mãe alcoólatra, que passa por um relacionamento abusivo. A narrativa assume um tom de fábula surreal quando ela conhece Bird (Franz Rogowski), jovem errante  que está à procura de seus pais. 

    A diretora Andrea Arnold é considerada uma das cineastas mais vanguardistas do cinema inglês deste século. Seus três primeiros filmes de ficção conquistaram o Prêmio do Júri no Festival de Cannes: Red Road (2006), Fish Tank (2009) e American Honey (2016).  

    Bird é uma contundente crítica social, abordando temas como a marginalidade adolescente, gravidez precoce, violência doméstica. Tudo acontece aos olhos de Bailey, rebelde e ao mesmo tempo responsável o suficiente para tentar cuidar da família, incluindo seu pai disruptivo. A entrada em cena do jovem Bird, que passa os dias no alto de um prédio, é um sopro de liberdade lúdica, fabular, para a criança/adulta Bailey.

  • April

    April (Geórgia/França, 2024), de Dea Kulumbegashvili. 

    O filme começa com a imagem difusa de uma criatura disforme que se move lentamente, a tela negra, a criatura diminuta ao fundo. Ouve-se o diálogo de duas crianças enquanto a criatura se afasta até desaparecer. Cota para a cena de uma forte chuva, é o alagado mês de abril em uma província da Geórgia. 

    A narrativa acompanha Nina (Ia Sukhitashvili,), obstetra que trabalha no único hospital da província. Após a morte do bebê durante um parto, Nina é acusada de negligência pelos pais da criança e passa a ser investigada pela direção do hospital. A investigação pode levar à revelação de uma prática criminosa: Nina faz abortos em mulheres abusadas sexualmente na região. 

    O segundo longa-metragem da diretora Dea Kulumbegashvili aborda o conflito entre questões legais, éticas e humanas. Nina é uma profissional reconhecida no mundo médico, mas transita com uma amargura quase suicida pelas ruas enlameadas da província, disposta a ajudar as mulheres que são torturadas pela sociedade misógina e patriarcal.  

    Um destaque: em tempos de supremacia digital, o filme foi filmado em 35mm, com a direção de fotografia de Arseni Khachaturian evidenciando o clima de amargura, tristeza e falta de esperança da narrativa. April conquistou o Prêmio Especial do Júri no 81º Festival Internacional de Cinema de Veneza. 

  • Dona Lurdes – o filme

    Dona Lurdes – o filme (Brasil, 2024), de Cristiano Marques. Dona Lurdes – o filme se insere nas modernas produções transmídias, começando com a novela Amor de mão (2019), cujas variações incluem ainda o romance Diário de Dona Lurdes. Manuela Dias é a autora de todos os formatos. 

    No filme, a mãe protetora interpretada por Regina Casé tem que lidar com a síndrome do ninho vazio, quando Ryan, único filho que ainda morava com ela, sai de casa. Dona Lurdes inicia uma amizade com Zuleide, sua nova vizinha, que a incentiva a buscar um novo relacionamento amoroso. 

    Com diversas participações de atores e atrizes do elenco global, o filme é claramente sustentado pela atuação nonsense, irreverente e provocativa de Regina Casé. O destaque, negativo, fica por conta de um Evandro Mesquita deslocado, no papel do bom moço apaixonado Mário Sérgio. Ator e personagem não combinam, pois todo espectador sabe o que esperar do grande Evandro Mesquita quando entra em cena. 

    Elenco: Regina Casé (Dona Lourdes), Evandro Mesquita (Mário Sérgio), Arlete Salles (Zuleide), Thiago Martins (Ryan), Chay Suede (Danilo), Jéssica Ellen (Camila), Nada Costa (Érica), Juliano Cazarré (Magno). 

  • Um dia de cada vez

    Um dia de cada vez (Day by day, Taiwan, 2024), de Wang Yan-ping. 

    Os curtas da diretora Wang Yan-ping retratam instigantes momentos do cotidiano dos taiwaneses, na maioria jovens em busca de suas identidades. Em Um dia de cada vez, o pai busca integrantes de sua família em seu carro novo. Primeiro a filha, que demonstra desinteresse pela novidade. A seguir o filho caçula, que grita e protesta no banco de trás. Por fim, a esposa e o terceiro filho, que sofre com deficiências cognitivas. 

    O trajeto para casa, quando vão se despedir do carro antigo, apelidado de amarelinho, é marcado por embates, rupturas e reconciliações, cada um envolto com seus próprios conflitos. A exceção do pai, o carro novo, com teto solar e dispositivos modernos, parece não encantar ninguém. O final, quando  a família se despede do amarelinho é um breve momento de ternura entre eles. 

    Elenco: Com Duan Chun-hao, Tiffany Anais Lin, Wei-Che Tu, Yun-Chen She, Deng Chiu Yun.

  • O quarto ao lado

    Em O quarto ao lado (The room next door, Espanha, 2024), Pedro Almodóvar se debruça em um tema sempre polêmico e que tem sido motivo de debates e reflexões, tanto na arte como na sociedade: o direito à eutanásia. 

    Martha (Tilda Swinton), jornalista e ex-correspondente de guerra, sofre com um câncer terminal. No hospital, ela recebe a visita da amiga Ingrid (Julianne Moore). As duas estavam afastadas há algum tempo e retomam o relacionamento. Ingrid passa a acompanhar Martha em seu dia-a-dia, ajudando-a em seus procedimentos médicos, mas é surpreendida com uma proposta: Martha decide pela eutanásia, ingerindo uma pílusa adquirida no mercado negro da internet (a eutanásila é proibida nos EUA) e deseja que a amiga a acompanhe sem seus dias finais. 

    Almodóvar adaptou o romance O que você está enfrentando, de Sigrid Nunez. Ingrid é uma escritora, acabou de publicar um romance cujo tema é o medo da morte. Quando se mudam para a casa escolhida por Tilda para o ato final, Ingrid ocupa “o quarto ao lado” e tenta se preparar, enfrentando seus medos mais devastadores. 

    Durante o Festival de Cinema de Veneza, Pedro Almodóvar declarou que o filme é uma forma de comunicar sua convicção a favor da eutanásia: “Deveria ser possível ter isso em todo o mundo. Deveria ser regulamentado, o parecer do médico deveria ser suficiente.”

  • Sonhos como barcos de papel

    Sonhos como barcos de papel (Des rêves en bateaux papiers, Haïti, 2024), de Samuel Frantz Suffren. 

    Edouard  mora em Porto Príncipe, Haiti, com a filha Zara. Ele tem uma barraca de sucos naturais e divide seu tempo entre o trabalho e o cuidado carinhoso da filha. Sua esposa emigrou cinco anos atrás para os Estados Unidos, de forma clandestina. Seu único contato com ela, desde então, é uma fita cassete com a narrativa da perigosa travessia. 

    Sonhos como barcos de papel faz parte da trilogia de curtas de Samuel Frantz Suffren, junto com Agwe (2022) e Coeur bleu (2025), inspirados no sonho de seu pai em migrar para os Estados Unidos. A narrativa é uma delicada história de solidão, dedicação, busca dos sonhos e luta para sobreviver em uma sociedade marcada pela desigualdade e pela miséria. 

    Elenco: Kenny Laguerre, Saraiva Ruth-Amma Suffren, Cloretti Jacinthe.

  • A semente do fruto sagrado

    A semente do fruto sagrado (Irã, 2024), de Mohammad Rasoulof, é um contundente relato ficcional (combinando com cenas documentais) das manifestações que aconteceram no Irã em setembro de 2022. Durante os protestos, deflagrados pela morte de Mahsa Amini, jovem de 22 anos, após ser presa pela polícia moral do país por uso incorreto do véu, centenas de manifestantes foram mortos.

    No filme, Iman é nomeado investigador do estado repressor iraniano. Entre outras funções, ele deve assinar as sentenças de morte dos presos. Em casa, Iman passa a lidar com os conflitos que sua profissão provoca até que a arma que ele carrega desaparece. As suspeitas são suas filhas adolescentes, Rezvan e Sana. Najmeh, esposa e mãe, tenta apaziguar e resolver o problema, se dividindo entre a fidelidade patriarcal ao marido e o amor pelas filhas,

    A maior parte do filme se passa em Teerã, destacando o conflito nas ruas, as prisões e atos de violência contra os manifestantes. Na parte final, Iman leva a família para sua casa no interior, quando seu comportamento violento e irascível se manifesta contra as filhas e esposa, transformando a narrativa em um thriller de suspense. 

    O filme foi censurado no Irã e o diretor Mohammad Rasoulof sofreu punições. No entanto, conseguiu escapar para a Alemanha. A semente do fruto sagrado  recebeu um prêmio especial do júri no Festival de Cannes e concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 

    Elenco: Soheila Golestani (Najmeh), Missagh Zareh (Iman), Setareh Maleki (Sana), Mahsa Rostami (Rezvan), Niousha Akhshi (Sadaf).

  • A garota da agulha

    A garota da agulha (Pigen med nalen, Dinamarca, 2024), de Magnus von Horn.

    Karoline é uma jovem trabalhadora de uma fábrica de tecidos que, durante a Primeira Guerra Mundial, fabrica uniformes para os soldados. Seu marido está lutando na guerra e ela passa por dificuldades financeiras, sendo despejada do quarto em que mora. Karoline mantém um caso com Jurgen, jovem herdeiro da fábrica, de quem engravida. No entanto, a mãe de Jurgen exige que o filho rompa o relacionamento e despede Karoline. 

    A narrativa de A garota da agulha, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, rompe com os padrões de decência moral e social. A saga de Karoline, a partir da perda do emprego, perpassa momentos de intensa crueldade humana, cuja virada, para mais crueldade ainda, acontece quando ela é acolhida por Dagmar, dona de uma loja de doces que serve como fachada para seu negócio clandestino: uma agência de adoção. 

    Prepare-se para cenas de verdadeiro terror, reforçada por uma fotografia em preto e branco gótica. Atenção para a sequência na qual Karoline persegue Dagmar por ruas, vielas e cortiços, até a descoberta da verdadeira atividade da senhora meiga e delicada para quem trabalha. Aterrador, principalmente porque A garota de agulha é inspirado em fatos reais. 

    Elenco: Vic Carmen Sonne (Karoline), Trine Dyrholm (Dagmar), Besir Zeqiri (Peter). Joachim Fjelstrup (Jorgen).