Soul

Soul segue o caminho de animações contemporâneas, tratando de tema adulto, de certa forma sombrio, com leveza para não afastar o público infanto/juvenil. Joe Gardner é professor de música do ensino médio, mas alimenta o sonho de se consagrar como músico de jazz. No mesmo dia em que recebe a notícia que vai ser efetivado como professor, consegue um teste para integrar, como pianista, a banda de uma famosa cantora. A mãe pressiona o jovem para aceitar o emprego, mas Joe resolve arriscar mais uma vez. No entanto, o destino interfere de forma trágica: quando caminha para sua noite de estreia, Joe encontra a morte ao cair em um bueiro. 

Quando acorda na estrada que o levará ao céu, Joe não aceita seu destino e provoca diversas peripécias para voltar à terra. Seu encontro com 22, jovem alma em treinamento, provoca as risadas características das tramas de animações e muita reflexão. A luta por nossos sonhos, paixões, podem ter consequências, inclusive interferindo nos destinos de pessoas próximas que também precisam fazer suas escolhas. A animação digital dá o tom lúdico, multicolorido, a esses temas complexos, intensos, como o próprio jazz. 

Soul (EUA, 2020), de Pete Docter e Kemp Powers. 

O mundo odeia-me

O começo do filme é assustador. A câmera foca apenas os pés de um homem na estrada, pedindo carona. Carros atendem ao pedido e motoristas e passageiros são assassinados pelo caroneiro. Ouvem-se apenas tiros, gritos de mulher, os pés voltam para a estrada. 

Ida Lupino, única mulher a dirigir no sistema de estúdios em Hollywood na década de 50, realizou um thriller composto por, praticamente, três personagens. Após os assassinatos nos primeiros minutos, Emmett Myers consegue carona com Ray e Frank, dois amigos que rumam para uma pescaria. Sentado no banco de trás, Emmett força os amigos a empreenderem uma jornada por cerca de 800 km, a caminho de um barco no litoral. 

Impressiona a passividade de Ray e Frank que, enquanto dirigem, se sujeitam às ameaças, agressões e tenebrosas brincadeiras de Emmett. Em uma das paradas, o assassino testa a pontaria de Frank, exigindo que ele atire à distância em uma lata que está na mão de seu amigo Ray. O que sobressai no filme é a mente doentia do caroneiro, enquanto os dois amigos simplesmente aguardam o momento de serem executados. 

O mundo odeia-me (The hitch-hiker, EUA, 1953), de Ida Lupino. Com Edmund O’Brien (Ray Collins), Frank Lovejoy (Gilbert Bowen), William Talman (Emmett Myers). 

Seja minha mulher

Charlie Chaplin disse que se inspirou no comediante francês Max Linder para criar Carlitos. As semelhanças parecem confirmar isso, mas, claramente, o pupilo superou o mestre. 

Em Seja minha mulher, Max Linder se vê às voltas com peripécias para conquistar Mary, pois a tia da amada não concorda com o casamento. As gags envolvem confusões típicas deste cinema mudo, motivadas por trocas de identidades e diversas incursões pelos espaços urbanos, incluindo uma ousada aventura em um bordel. No entanto, gags envoltas em discriminações de raça e gênero transformam parte do cinema de Max Linder como datado e passível de recriminações severas.

Seja minha mulher (Be my wife, EUA, 1921), de Max Linder. Com Max Linder, Alta Allen, Caroline Rankin. 

Sete anos de azar

Após chegar bêbado em casa, o bem-sucedido Max acorda de manhã e se vê às voltas com uma confusão inusitada. Seu mordomo quebra o espelho do closet e na tentativa de disfarçar o ocorrido coloca outro empregado da casa, parecido com Max, do outro lado da moldura. É o ponto forte da comédia, as interações físicas entre Max e seu duplo frente a frente são responsáveis por cenas antológicas do cinema mudo. 

O tema que provoca a série de gags é a superstição dos sete anos de azar para quem quebrar o espelho. Max está de casamento marcado, mas sucessivos desencontros e acidentes parecem comprovar a lenda urbana. 

Sete anos de azar (Seven years bad luck, EUA/França, 1921), de Max Linder. Com Max Linder, Alta Allen, Ralph McCullough.

Quando chega a escuridão

Caleb vê Mae saindo do bar à noite. Oferece a ela uma carona, os dois vagueiam pela estrada até que, perto do amanhecer, Mae implora para ser levada embora. O jovem se recusa, começa a beijá-la até ser mordido no pescoço. 

Quando chega a escuridão é a típica história de vampiro com tons modernos que fez muito sucesso nos anos 80, a exemplo de Fome de Viver (1983) e Garotos perdidos (1987). Quando se transforma em vampiro, Calebe se junta à  gangue liderada por Jess, todos com visuais que remetem a jovens rebeldes. Como Caleb se recusa a matar e beber sangue humano, Jess dá a ele 24 horas para se decidir, do contrário morrerá. 

A estética da película é marcada pelos tons sombrios da noite, com névoas recortando os vampiros em belas cenas nas estradas. Outra característica do cinema dos anos 80 que buscou inspiração no cinema noir, consagrando o que foi categorizado como neo noir.  A violência apresenta sua cara na sequência do bar e no final do filme, com destaque para o menino vampiro queimando na estrada enquanto corre atrás da menina por quem se apaixonou. 

Quando chega a escuridão (Near dark, EUA, 1987), de Kathryn Bigelow. Com Adrian Pasdar (Cale), Jenny Wright (Mae), Lance Henriksen (Jesse), Bill Paston (Severen), Jenette Goldstein (Diamondback), Tim Thomerson (Loy), Joshua Miller (Homer), Marcie Leeds (Sarah). 

Nunca, raramente, às vezes, sempre

O título longo e instigante faz sentido para o espectador perto do final do filme, em uma cena triste, dolorosa, a câmera centrada no rosto de Autumn. A jovem mora com os pais no interior do Oklahoma, trabalha como caixa em um supermercado ao lado da prima Skylar. 

Autumn tem 17 anos e descobre que está grávida. Ao lado da prima, parte para Nova York rumo a uma clínica de aborto. A trama, marcada por longos silêncios, provoca reflexões dolorosas à medida que as jovens se defrontam com questões como o abandono e falta de apoio da família, o assédio no trabalho, no transporte público, até mesmo jovens como elas tentam se aproveitar da fragilidade a que elas estão expostas na noite de Nova York. Autumn e Skylar se entendem apenas por olhares e gestos, desenvolvem a solidariedade mútua à medida que se defrontam com a crueldade da sociedade misógina. A diretora e roteirista Eliza Hittman deixa gestos, toques de mãos, olhares, rostos, revelarem mais e com muito mais força do que palavras.

Nunca, raramente, às vezes, sempre (Never rarely sometimes always, EUA, 2020), de Eliza Hittman . Com Sidney Flanigan (Autumn), Talia Syder (Skylar).

Amarga esperança

Nicholas Ray foi amado, talvez idolatrado, pelos jovens críticos da Cahiers du Cinema e posteriormente diretores consagrados da nouvelle vague francesa. Jean-Luc Godard chegou ao extremo de afirmar: “Houve o teatro (Griffith), a poesia (Murnau), a pintura (Rossellini), a dança (Eisenstein), a música (Renoir). Doravante, há o cinema. E o cinema é Nicholas Ray”. A própria teoria do autor, defendida pelos críticos franceses, encontrou em Nicholas Ray uma de suas principais referência: 

“Acho que o que nos atraiu foi que havia algo europeu neste diretor de Hollywood. E o que havia de Europeu? Talvez a fragilidade e vulnerabilidade dos personagens principais. Apesar de ele rodar muito com astros como John Wayne ou Humphrey Bogart, seus personagens masculinos não eram machões. Havia uma grande sensibilidade, principalmente no tratamento das histórias sentimentais que dava uma impressão de grande realismo. Numa época em que o cinema de Hollywood não era pessoal ou autobiográfico tínhamos sempre a impressão de que as histórias de amor nos filmes de Nicholas Ray eram histórias reais.” – François Truffaut. Sobre a admiração incondicional pelo cinema de Nichoas Ray, Traffaut completa, em depoimento para um documentário: “Eu já disse uma vez, e repito para esta câmera. Eu disse que um filme como Johnny Guitar teve mais importância na minha vida do que na de Nicholas Ray.”

Os personagens frágeis, vulneráveis, são marcantes já em Amarga esperança, primeiro filme dirigido por Nicholas Ray. A película abre com imagens amorosas de dois jovens se olhando, se beijando, felizes, somente os rostos com fundo negro, acompanhados pela frase: “Este rapaz e esta garota nunca conseguiram se integrar no mundo em que vivemos. Esta é sua história.” Os dois se voltam assustados para a câmera, entra o título: They live by night. Corta para ousada sequência filmada de helicóptero, a câmera oscilante mostra em plongée um carro correndo por um terreno árido. Três fugitivos da prisão estão no carro: Chickamaw, T-Dub e Bowie, o jovem da abertura. 

Eles abandonam o carro e seguem a pé, mas Bowie torce o pé e precisa esperar que seus dois amigos enviem um resgate. À noite, o farol de um carro cruza à noite, Bowie se aproxima, uma jovem cujo chapéu projeta sombra em seus olhos, na escuridão da noite, começa o diálogo recheados de “talvez”, sem qualquer conclusão. Estamos diante de um filme noir, gênero revitalizado por Nicholas Ray. Ao invés dos becos noturnos das cidades urbanas, Amarga esperança é um road-movie que se passa nas estradas descampadas do Texas. Os protagonistas do filme não são o detetive particular frio, irônico e inescrupuloso, e nem a femme fatale que leva o amante à degradaçãol. São Bowie e Keechi, jovens que vivem uma súbita e intensa paixão, alternando momentos românticos com a fuga desesperada da polícia e de seus destinos. A fotografia alternam entre o claro escuro, as imagens sombrias da noite contrastam com a dureza do sol do meio dia, atrevidas cenas áreas nunca vistas no cinema até então marcam a estreia de um autor no cinema. “Amarga esperança é um dos filmes que levou os filmes de crime e os noir para outra direção e revitalizou o gênero devido à visão original de Nicholas Ray e o tipo de detalhe que ele traz para a filmagem.” – Imogem Sara Smith. 

Após dois assaltos a bancos, Bowie se transforma no mítico “Bowie the kid”, pois personifica os bandidos que tomaram conta do imaginário popular a partir da história de Bonnie e Clyde. Resta a ele e sua jovem esposa Keechi fugirem pela noite, buscando refúgios em motéis e chalés rurais, até serem descobertos e pegarem novamente a estrada. 

O destino trágico está selado desde a abertura do filme, mas o violento final traz aos olhos e corações dos espectadores um dos momentos mais tristes do cinema. Coisas desse cinema noir amargo e sem esperança, coisas desse cinema que nos move com amor, paixão e deslumbre por histórias inalcançáveis, coisas dos filmes de Nicholas Ray. 

Amarga esperança (They live by night, EUA, 1948), de Nicholas Ray. Com Farley Granger (Bowie), Cathay O’Donnell (Keechie), Howard da Silva (Chickamaw), Jay C. Flippen (T-Dub), Will Wright (Mobley). 

Referência: Coleção Folha Grandes Diretores no Cinema. Nicholas Ray. Amarga esperança. Cássio Starling Carlos e Pedro Maciel Guimarães. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2018. 

Tabu

Antes mesmo das filmagens, Tabu já apresenta uma história de amor: em 1929, Murnau realiza seu sonho de comprar um iate, nomeado de Bali. Assim, conseguiria realizar seu sonho de juventude, conhecer os mares do sul e, ao mesmo tempo, reencontrar seu amado Walter Spies que vivia em Bali.

Junto com o documentarista Robert Flaherty, Murnau chega em Bali em 29 de julho de 1929. Flaherty começa a trabalhar no projeto de um filme chamado Turia, filmando cenas de praias e dos nativos nas cachoeiras. A película seria produzida pela Colorart, no entanto, a produtora faliu durante o crash da bolsa de Nova Iorque. Murnau escreve, então, o roteiro de Tabu e decide financiar o filme. Ele contrata o diretor de fotografia Robert Crosby para substituir Flaherty, com quem o diretor se desentendeu. 

A trama de Tabu segue os passos de dois nativos, Matahi e Reri, jovem virgem que é escolhida pela tribo para servir aos Deuses, sob os cuidados do velho sacerdote Hitu. Matahi sequestra Reri, os dois fogem para outra ilha, onde os brancos exploram pérolas, colonizando os nativos com objetivos de exploração econômica. Matahi se revela exímio mergulhador, o casal vive algum tempo num idílio amoroso. No entanto, a figura do velho sacerdote persegue-os, até o final trágico. 

Robert Flaherty queria produzir um documentário sobre a exploração dos nativos pelo homem branco. Murnau, ao contrário, imprimiu um estilo estético ao filme baseado em pinturas alemãs, pedindo aos atores que imitassem as poses dos quadros. Os movimentos também deveriam se parecer com uma dança, estilo chamado por Murnau e Spies de “cinematografia arquitetônica”. Flaherty não gostou do resultado, pois acreditava na verdade dos documentários. Ele disse que “o estilo de Murnau não passava de uma espantosa manipulação.”

O erotismo está presente em grande parte das tomadas de Tabu, principalmente no início, quando os nativos praticam alegremente a pesca. Os gestos coreografados destilam beleza e sensualidade nas cenas aquáticas. 

“A sensação de puro regozijo dessas imagens prolonga-se na sequência seguinte, quando vemos a aproximação entre Matahi e Reri, o surgimento entre eles de um amor pleno, físico e que se exibe sem nenhum pudor. Toda essa parte é feita de movimentos incessantes na forma de saltos, lutas, danças e nados, de fluxos que reforçam o sentimento de alegria.” – Cássio Starling Carlos

O estilo expressionista de Murnau contrapõe essa alegria erótica e inocente quando as sombras projetadas no rosto do sacerdote Htu, o velho que condena Reri ao Tabu, representam forças ocultas e sombrias que exigem o sacrifício dos amantes. O silencioso Htu, de olhar penetrante e aterrador, é como uma maldição que se interpõe no caminho dos jovens.

Assim como o destino dos dois jovens amantes de Tabu, a relação entre Walter Spies e Friedrich Wilhelm Murnau, o mítico diretor do expressionismo alemão, responsável por obras-primas como Nosferatu (1922), A última gargalhada (1924), Fausto (1926) e Aurora (1927), seguiu caminhos trágicos após a conclusão das filmagens. Em 11 de março de 1931, uma semana antes da estreia de Tabu, Murnau morreu em um acidente de carro em Santa Mônica, Califórnia. Tinha 42 anos.  

“Após auxiliar Andre Roosevelt na produção do longa Kriss, em 1928, Walter Spies produziu um novo filme que ele gostaria de ter dirigido com Murnau em Bali, A ilha dos demônios. Após a morte de Murnau, o filme foi concluído, apresentando Bali como o paraíso que ele e Murnau sempre sonharam.  Posteriormente, Spies foi preso e acusado de homossexualidade e pederastia. Ele passou muitos anos na prisão. Em 1942, durante a Segunda Grande Guerra, o navio no qual ele havia sido deportado de Bali foi atingido por um torpedo próximo ao Ceilão. Spies morreu afogado tal como o herói Matahi, que no filme de Murnau morre afogado após lutar contra tabus religiosos e morais.” – extraído do documentário “Uma obra em criação”. 

Tabu (EUA, 1931), de F. W. Murnau. Com Matahi, Reri, Hitu, Bill Bambridge. Referência: Coleção Folha Grande Diretores do Cinema. F. W. Murnau – Tabu. Carlos Starling Carlos e Pedro Maciel Guimarães. São Paulo: Folha de S. Paulo, 2018

Across the universe

Assistir a um filme baseado em canções dos Beatles já vale apenas pela música, qualquer que seja o filme, e nem precisa ser beatlemaníaco, basta se enlevar com  as belas canções compostas por Lennon e McCartney que insuflam gerações há décadas. Across the universe vai além com a narrativa que mistura romance, ativismo político, conflitos raciais, discussões de gênero, tudo pontuado por interpretações belíssimas de I want you handLet it beHey JudeStrawberry fields forever e muito mais. 

Jude é um jovem inglês, trabalhador de um estaleiro em Liverpool. Viaja aos EUA para conhecer o pai, que engravidou sua mãe durante a Segunda Grande Guerra. Na América, desenvolve forte amizade com o universitário Max, vai morar em um apartamento habitado por personagens da contracultura dos agitados anos 60: a jovem lésbica Prudence, a cantora de boates Sadie, o guitarrista negro Jo-Jo. Quando Jude conhece Lucy, irmã de Max, a paixão é arrebatadora e acompanha os clichês naturais do gênero: início de enternecer corações, com erotismo aflorando, conflitos pessoais que afastam os amantes até o apoteótico final, tudo com direito às inesquecíveis canções dos Beatles. Enfim, Across the universe vale a sessão fílmica, sonora, imagética, sensual…

Across the universe (EUA, 2007), de Julie Taymor. Com Ewan Rachel Wood (Lucy), Jim Sturgess (Jude), Joe Anderson (Max), Dana Fuchs (Sadie), Martin|Luther McCoy (Jo-Jo), T.V. Carpio (Prudence).  

Judy – Muito além do arco-íris

o final do filme, Judy Garland está diante da plateia em Londres. O ano é 1969, sua saúde está fragilizada pelo uso excessivo de remédios e álcool durante grande parte de sua vida, incluindo a infância, quando debutou nas telas da MGM. Ela senta-se na beirada do palco e anuncia: “A próxima música não é sobre chegar a algum lugar. Ela é sobre a caminhada em direção a algum lugar com que você sonhou. E talvez essa caminhada seja a sua vida inteira. E ela precisa ser suficiente. É uma música sobre esperança. E todos nós precisamos disso.” A música, claro, é Over the rainbow.

Judy: muito além do arco-íris se concentra nos meses em que a cantora se apresentou em Londres, pouco antes de morrer. Sem casa para morar, é despejada inclusive de quartos de hotel por falta de pagamento. Ela perde a guarda de seus dois filhos pequenos para o ex-marido e aceita fazer a turnê musical por Londres para tentar se recuperar financeiramente.

A narrativa alterna entre os problemas de Judy em Londres, suas apresentações oscilam entre o sucesso e o completo fiasco em algumas noites, quando se apresenta alcoolizada e agressiva, e seu passado como atriz. São esses flashbacks que trazem à tona a crueldade do sistema de estúdios, cujos produtores exploraram o talento infantil de Judy à custa da saúde da atriz, impondo à ela jornadas excessivas de trabalho, impedindo que exercesse atividades inerentes à infância/adolescência, como ir à escola, sair com amigos, ter relacionamentos não-autorizados pelo estúdio.

Assim como outras importantes componentes do star-system da era de ouro de Hollywood, Judy Garland pagou caro por estar sob controle de homens cuja crueldade parecia não ter limites, tudo em função do negócio chamado cinema. Cada aparição de Louis B. Mayer, todo poderoso da MGM, revela que por trás das telas o mundo mágico de Hollywood era construído através de atitudes desumanas, que destruíam as estrelas que povoavam o imaginário dos espectadores. 

Judy: muito além do arco-íris (Judy, EUA, 2019), de Robert Gould. Com Renée Zellweger (Judy Garland), Jessie Buckley (Rosalyn Wilder), Finn Wittrock (Mickey Deane), Rufus Swell (Sid Luft), Michael Gambon (Bernard Delfont).