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  • Nosso ex-marido

    A diretora alemã Margarethe von Trotta investe no relacionamento de duas mulheres para compor retrato da sociedade ainda marcada pelo domínio dos homens no destino de ex-esposas. Jade é promissora designer de moda, vive em um luxuoso apartamento em Nova York deixado por Nick quando da separação (ele a trocou por uma jovem beldade). De repente, Maria, a primeira mulher de Nick, exige morar no apartamento, pois também tem direitos. Por fim, Antonia, filha de Maria e Nick, chega ao apartamento em busca de trabalho na metrópole americana. 

    O convívio diário entre as mulheres rende situações às vezes cômicas, outras vezes dramáticas. Enquanto Jade luta pela ascensão profissional, inserindo Antonia em seu cotidiano de trabalho, Maria aceita sua condição de aposentada, cuidando dos afazeres domésticos, além de trabalhos na área acadêmica. Os conflitos permeiam a trama com direito a final irreverente.  

    Nosso ex-marido (Forget about Nick, Alemanha, 2017), de Margarethe von Trotta. Com Ingrid Bolso Berdal (Jade), Katja Riemann (Maria), Haluk Bilginer (Nick), Tinta Fursk (Antonia).

  • A morte cansada

    Um homem misterioso levanta um enorme muro nos arredores de uma cidade na Alemanha. Nas redondezas, um casal de namorados desfruta de momentos idílicos, festejando a felicidade e o amor, até que o jovem desaparece. Desolada, a jovem sai em busca de seu amado e chega até o muro. Em uma cena impressionante, ela vê seu amado caminhando em direção ao muro, junto com outras pessoas. Ele para diante da jovem com olhar de uma tristeza imensa e atravessa o muro.  

    A morte cansada é responsável por consagrar Fritz Lang no início da década de 20, quando o cinema alemão era determinado pelo expressionismo. O roteiro foi escrito por Lang e sua esposa, Thea Von Harbou, e apresenta uma questão dolorosa: o amor é capaz de vencer a morte? 

    A jovem, tentando salvar seu amado, atravessa o muro e confronta a morte (o homem misterioso). A morte propõe a ela um desafio: devolve seu amado à vida caso ela consiga salvar a vida de uma pessoa que enfrenta o mesmo conflito, está apaixonada por quem vai morrer. Ela tem três chances, três narrativas paralelas são apresentadas, interpretadas pelos mesmos personagens.  

    O ponto forte da película são os cenários impressionantes, a direção de arte e fotografia que remetem a essa linha tênue entre o real e o imaginário (preste atenção nas cenas da jovem soprando as velas que simbolizam o apagar da vida). Destaque também para a interpretação de Bernhard Goetzke que compõe a figura da morte desiludida, apática diante de seu “trabalho”. 

    A morte cansada (Mude tod, der, Alemanha, 1921), de Fritz Lang. Com Lil Dagover, Bernhard Goetzke, Walter Janssen.