Curiosidades sobre Star Wars

Trechos extraídos do livro Uma Vida, de Brian Jones.

Aparentemente, a inspiração podia vir de qualquer lugar. Certa tarde, Márcia saiu de casa de carro com o cachorro deles – um enorme malamute do Alasca chamado Indiana – sentado alegremente no banco do carona ao seu lado, a cabeça raspando no teto do carro. Lucas achou que o cachorro, quase do tamanho de uma pessoa, parecia o copiloto de Márcia – uma imagem que acabaria se transformando em Chewbacca, o copiloto da Millennium Falcon. 

Outro personagem importante havia encontrado seu nome em um comentário sem importância feito por Walter Murch enquanto ele e Lucas montavam Loucuras de verão. Os dois haviam desenvolvido um sistema próprio para lidar com as pilhas de rolos de filme e quilômetros de película, dando a cada um dos rolos trilhas de diálogos e trilhas sonoras um número de identificação. Em uma das sessões vespertinas, Murch pediu a Lucas o Rolo 2, Diálogo 2 – mas, para acelerar, disse apenas R2 D2. Lucas adorou o som daquilo – o modo como um nome soava sempre seria algo importante para ele – e, depois de entregar as latas de filme a Murch, anotou depressa R2D2 em seu caderno. “Enquanto escrevia, eu repetia os nomes e, quando tinha dificuldade para lidar foneticamente com um deles, o modificava”, disse ele mais tarde. “Tinha a ver com ouvir o nome muitas vezes, e se eu me acostumava ou não com ele.”

No começo da tarde de quarta-feira, 25 de maio (1977), Lucas saiu com os olhos pesados de outra sessão de trabalho virando a noite no Goldwyn. Enquanto saía, Márcia estava chegando, e os dois decidiram almoçar juntos, indo ao Hamburger Hamlet, no Hollywood Boulevard, em frente ao Grauman ‘s Chinese Theater. De sua mesa nos fundos, ele e Márcia podiam ver pela vitrine que a rua estava ficando cada vez mais cheia de gente. “Era como uma cena de multidão”, lembrou Lucas. “Uma faixa de tráfego estava bloqueada. Havia polícia ai (…) Havia filas, com oito ou nove pessoas de largura, caminhando nos dois sentidos ao redor do quarteirão.” Ele e Márcia terminaram de almoçar e saíram para descobrir o que era tudo aquilo. “Achei que alguém devia estar lançando um filme”, contou Lucas mais tarde.

Alguém estava. Gravadas em letras enormes no letreiro de ambos os lados da via, acima da multidão barulhenta e agitada, havia duas palavras: STAR WARS. – pg. 272

Nesse ínterim, o confiável Ben Burtt continuava editando os efeitos sonoros, e Lucas ainda tinha várias vozes importantes para mixar. James Earl Jones retornaria para fazer a voz de Vader, incluindo uma frase fundamental de um diálogo – “Não. Eu sou seu pai” – de que apenas Hamill, Kershner e algumas poucas pessoas tinham conhecimento durante as filmagens. (Oculto pela máscara de Vader, Dave Prowse dissera a fala “Obi-Wan matou seu pai”, e só saberia a verdadeira reviravolta na trama ao assistir ao filme no cinema). De sua parte, quando Jones gravou o diálogo de Vader, no inverno de 1980, ele continuava convencido de que Vader estava mentindo. – pg. 318

A divisão de computadores trabalharia de forma diligente, embora lenta, ao longo dos anos seguintes para criar as ferramentas digitais que Lucas imaginou – e, enquanto Catmull e sua equipe divergiam de Lucas acerca dos objetivos finais dos novos equipamentos, eles realmente compartilhavam sua aptidão para pensar depressa em nomes para seu projeto. Uma noite, durante o jantar, um designer sugeriu que chamassem seu novo computador de composição digital de “Fabricante de Imagens”. Alvy Ray Smith sugeriu que criassem algo um pouco mais moderno – talvez fazendo referência ao laser que o computador usava para a maior parte da varredura – e propôs o nome de Pixer. Depois de um pouco mais de discussão, eles decidiram ajustar a palavra ligeiramente, surgindo um nome que todos gostaram um pouco mais: Pixar. 

Lucas também confundiu os críticos – e os fãs – ao adicionar, antes do letreiro de abertura, que o público estava prestes a ver o EPISÓDIO V – O IMPÉRIO CONTRA-ATACA. Aqueles que estavam prestando atenção apontaram que Lucas revelara a intenção de relançar Star Wars, com um novo título em que se lia EPISÓDIO IV – UMA NOVA ESPERANÇA. Desse momento em diante, Lucas sempre afirmaria que pegou a primeira versão extensa de Star Wars, dividiu-a em três e, em seguida, decidiu filmar o terço do meio primeiro, com Uma nova esperança como a quarta parte de uma saga de noves partes. – pg. 322

George Lucas. Uma vida. Brian Jones. Rio de Janeiro: BestSeller, 2017.