Os incríveis 2

A família Pêra está lutando nas ruas da cidade contra o poderoso Escavador. A destruição é generalizada e no final da batalha os super heróis são proibidos por lei de usar seus poderes e ficam enclausurados em casa. Entra em cena o milionário Winston Deavor e sua irmã Evelyn com uma proposta: Helena Pêra se juntar a ele e seus artefatos tecnológicos em batalha contra o crime. A ideia é resgatar a legião de super heróis. O problema é que, no primeiro momento, Roberto não pode participar das ações. Ele fica em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher se transforma em celebridade, heroína no combate aos criminosos. 

A animação continua com o tom ácido de crítica ao universo dos super heróis. A novidade é o controle nas mãos de Helena, enquanto Roberto sofre com as agruras do trabalho no lar. O ponto forte acontece quando o bebê Zezé revela também ser dotado de poderes e protagoniza situações hilárias. Ação frenética e bom humor, receita garantida no universo da animação digital.  

Os incríveis 2 (Incredibles 2, EUA, 2018), de Brad Bird. 

Chacrinha: O velho guerreiro

A história do popular e histriônico Abelardo Barbosa se confunde com a história do rádio e da TV no Brasil. Adaptado do espetáculo Chacrinha, o Musical, também dirigido por Andrucha Waddington e interpretado por Stepan Nercessian, o filme começa com o jovem Abelardo Barbosa em um navio, rumo à Europa. O navio é forçado a aportar no Rio de Janeiro devido a conflitos da Segunda Grande Guerra. 

Fascinado pela cidade maravilhosa, Abelardo, natural do Recife, decide ficar. Arruma emprego como animador de porta de loja e logo depois em uma rádio, onde assume a alcunha de Chacrinha. O resto é história. Do rádio para a TV, criando o personagem que arrematou multidões com sua irreverência e seus bordões. Hoje, com certeza, Chacrinha seria execrado por suas atitudes politicamente incorretas. Nos tempos áureos da TV ao vivo, era sinônimo de Ibope. 

Eduardo Sterblitch e Stepan Nercessian brilham na caracterização das fases do velho guerreiro. Os bastidores da TV, da política brasileira nos anos de chumbo da censura, ícones do mundo artístico que passaram pelos palcos do programa; tudo confere ao filme ar nostálgico e enriquecedor de nossa cultura popular. 

Chacrinha: o velho guerreiro (Brasil, 2018), de Andrucha Waddington. Com Stepan Nercessian, Eduardo Sterblitch, Gianne Albertoni, Laila Garin, Carla Ribas, Rodrigo Pandolfo.

O retorno de Mary Poppins

Emily Blunt is Mary Poppins and Joel Dawson is Georgie in Disney’s MARY POPPINS RETURNS, a sequel to the 1964 MARY POPPINS, which takes audiences on an entirely new adventure with the practically perfect nanny and the Banks family.

Vinte e cinco anos depois, Mary Poppins retorna à casa dos Irmãos Banks. Michael perdeu a esposa recentemente, luta para cuidar dos três filhos e preservar a casa da família. A irmã Jane tenta ajudá-lo enquanto convive com a solidão. O banqueiro Wilkins, vilão da história, dá prazo de dias para Michael quitar a hipoteca, do contrário perderá a casa. 

Os musicais têm capítulo à parte na história do cinema americano. O original Mary Poppins está entre os mais queridos desta história. A continuação preserva o charme, o olhar deslumbrado das crianças e dos adultos diante da babá que chega e vai embora voando com a sombrinha, não se sabe de onde, para onde. O espectador que ama musicais vai junto.  

O retorno de Mary Poppins (Mary Poppins returns, EUA, 2018), de Rob Marshall. Com Emily Blunt (Mary Poppins), Colin Firth (William Wilkins), Ben Whishaw (Michael Banks), Emily Mortimer (Jane Banks), Meryl Streep (Cousin Topsey), Lin-Manuel Miranda (Jack).

Missão impossível – Efeito Fallout

Ethan Hunt está em arriscada missão envolvendo três ogivas de plutônio. Ele aborta os procedimentos quando vê sua equipe em risco e os artefatos caem nas mães de um grupo terrorista que passa a exigir a libertação do megaterrorista Solomon Lane. 

O sexto filme da série arrecadou cerca de 800 milhões de dólares nas bilheterias, se consagrando como o maior sucesso da franquia. Ação frenética e reviravoltas seguram a trama do início ao fim, com destaque para duas sequências de tirar o fôlego: a perseguição de veículos nas ruas de Paris e a impressionante sequência final do duelo dos helicópteros. Ethan Hunt/Tom Cruise provam que estão em forma e garantem vida longa a Missão impossível.

Missão impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossibile – Fallout, EUA, 2018), de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise (Ethan Hunt), Henry Cavill (August Walker), Rebecca Ferguson (ilsa Faust), Simon Pegg (Benji Dunn). Ving Rhames (Luther), Sean Harris (Solomon Lane).

Dumbo

A recente onda de adaptações live actions da Disney traz o elefante voador criado digitalmente em interação com elenco de artistas de um circo decadente. A história original foi adaptada com diversas modificações. Os irmãos Milly e Joe são responsáveis pela descoberta e treinamento de Dumbo para atos acrobáticos no circo. O pai dos garotos, Holt Farrier, volta da guerra sem um braço e tenta retomar os tempos áureos no palco como cavaleiro. O vilão Vandevere entra em cena para tentar lucrar com o elefantinho e, claro, o separa da mãe. 

O melhor do filme é a grande homenagem ao original. Como nos tempos modernos seria impensável Dumbo se embriagar, Tim Burton cria número no circo com bolhas de sabão revivendo os elefantes cor de rosa dançando no espaço. Os olhos deslumbrados de Dumbo acompanham a dança e, ao espectador, resta a vontade de voltar a tempos politicamente incorretos.  

Dumbo (EUA, 2019), de Tim Burton. Com Colin Farrel (Holt Farrier), Eva Green (Colette), Michael Keaton (Vandevere), Danny De Vito (Max Medici), Nico Parker (Milly), Finley Robbins (Joe).

A senhora da van

No começo do filme, Miss Shepherd está dirigindo van pela estrada e bate em algo. Sangue no vidro trincado sugere atropelamento. A motorista foge e é perseguida por um policial. Corta para muitos anos depois, Miss Shepherd é uma velha moradora das ruas de Londres, dorme em sua van estacionada em bairro de classe média. O vidro trincado lembra do passado. 

A narrativa é contada pelo ponto de vista de Alan Bennett, escritor que se vê envolvido pela senhora da van: ela mora em frente a sua casa, com o tempo, estaciona dentro da garagem. Bennet conta a história interagindo com seu duplo escritor, interessante analogia do olhar do homem comum e do olhar do artista que vê o mundo com criatividade e imaginação. 

O filme é baseado em fatos reais. O dramaturgo Alan Bennett conviveu com Miss Shepherd durante 15 anos no bairro londrino de Camden Town. A história virou peça teatral de sucesso e foi adaptada para o cinema pelo próprio autor. 

A senhora da van (The lady of the van, Inglaterra, 2015 ), de Nicholas Hytner. Com Maggie Smith (Miss Shepherd), Alex Jennings (Alan Bennett), Deborah Findlay (Pauline

O banquete

A diretora Daniela Thomas buscou inspiração em fatos do início da década de 90 para reunir elenco de peso em torno da mesa de jantar. A primeira inspiração vem de memórias de jantares oferecidos em sua casa; a segunda, da carta escrita pelo jornalista Otávio Frias Filho ao presidente Collor.

O banquete começa com Nora inspecionando a mesa preparada para receber convidados do universo do teatro e da imprensa. Ela chora diante da mesa, evidenciando o tom de depressão que vai ditar a narrativa. Os convidados são Mauro, famoso diretor de teatro que escreveu uma carta ao presidente Collor e corre risco de ser preso; sua mulher Bia, atriz de sucesso; dois jornalistas culturais; o marido de Nora, advogado; a estranha mulher-gato e Claudinha, espécie de dama de companhia de Bia. O jovem chef Ted assiste a tudo com fascinação. 

A estrutura teatral da narrativa abre possibilidades para o elenco despejar diálogos sobre cultura, sexo, política e dramas pessoais. O ponto forte do filme é o embate final entre Nora e Bia, entre Drica Moraes e Mariana Lima, duas grandes personagens nas mãos de duas grandes atrizes.  

O banquete (Brasil, 2018), de Daniela Thomas. Com Drica Moraes (Nora), Mariana Lima (Bia Moraes), Caco Ciocler (Plínio), Rodrigo Bolzan (Mauro), Fabiana Gugli (Maria), Gustavo Machado (Lucy), Chay Suede (Ted), Bruna Linzmeyer (Catwoman), Georgette Fadel (Claudinha). 

A vida extra-ordinária de Tarso de Castro 

O documentário me remeteu aos tempos românticos do jornalismo, uma de minhas formações. Os diretores Leo Garcia e Zeca Brito tentam traçar um perfil (se é que é possível) da vida e carreira do jornalista Tarso de Castro, um dos criadores do Pasquim e outros importantes títulos do jornalismo brasileiro, como Folhetim. As histórias giram em torno da rebeldia do jornalista; trechos documentais mostram como Tarso lutava no meio jornalístico, não se rendendo a imposições dos donos dos jornais e nem do sistema político (na época, a ditadura militar). O lado romântico fica por conta do comportamento destes rebeldes no exercício da profissão. “A redação não era extensão do bar, o bar era a redação” – declara um dos entrevistados. Documentário imperdível em um momento de questionamentos sobre a prática jornalística nos grandes meios de comunicação.

A vida extra-ordinária de Tarso de Castro (Brasil, 2016), de Leo Garcia e Zeca Brito

A moça do calendário

Helena Ignez participou ativamente como atriz dos grupos que construíram o Cinema Novo e o Cinema Marginal. Foi casada com Glauber Rocha e Rogério Sganzerla. Em sua recente produção como diretora, Helena Ignez traz resquícios destes movimentos que formaram gerações de cineastas e cinéfilos. 

Inácio trabalha como mecânico, lê Freud, transita pela noite com o olhar sonhador de quem almeja mundos melhores. Em momentos de ócio na oficina na qual trabalha, tem devaneios com a moça do calendário que invade sua imaginação com erotismo e rebeldia, como se o chamasse a sair pelo mundo. 

A moça do calendário é Lara, militante de esquerda que luta pela reforma agrária e transita pelo MST. Em algum momento os dois podem se encontrar, enquanto isso, desfilam pelo olhar dos personagens a noite marginal paulistana, os segregados, os explorados pelo capitalismo. Belas imagens, texto contundente, crítica social, irreverência dos personagens – a autora Helena Ignez tem um quê de marginal em seu cinema. 

A moça do calendário (Brasil, 2017), de Helena Ignez. Com André Guerreiro Lopes (Inácio), Djin Sganzerla.

A livraria

Cidade litorânea da Inglaterra, final da década de 50. A recém viúva Florence Green chega à cidade, se encanta e acalenta sonho que luta para realizar: abrir uma livraria na velha casa que alugou. A empreitada encontra resistência em Violet Gamart, representante da conservadora sociedade local. 

A livraria é dos filmes que coloca cena a cena o amor pela literatura. Florence troca correspondências sobre livros com o recluso Edmund Brundish e passa a enviar para ele edições novas. A pequena Christine acompanha tudo com o olhar infantil, ajudando Florence na livraria. O final, triste mas esperançoso, revela como os livros podem modificar a vida das pessoas.  

A livraria (The bookshop, Inglaterra, 2018), de Isabel Coixet. Com Emily Mortmer (Florence Green), Bill Nighy (Edmund Brundish), Patricia Clarkson (Violet Gamart).