O-Bi, O-Ba – O fim da civilização

O-Bi, O-Ba – O fim da civilização (O-Bi, O Ba. Koniec cywilizacji, Polônia, 1984), de Piotr Szulkin.

O filme apocalíptico de Piotr Szulkin se passa em uma terra destruída pela explosões nucleares. Cerca de oitocentos sobreviventes vivem em um abrigo chamado de A Cúpula, que ameaça desmoronar a qualquer momento. Resta apenas uma esperança: a chegada da Arca para levar os sobreviventes para um lugar que possivelmente ainda é seguro. 

A lenda da Arca é mantida por meio de um rigoroso sistema de doutrinação, cujos responsáveis, entre eles Soft (Jerzy Stuhr), controlam de forma até mesmo violenta. A fome, doenças, revoltas, sabotagens, frio extremo, fazem parte do cotidiano dos habitantes da Cúpula. Piotr Szulkin continua com seu olhar crítico e severo sobre a Polônia dominada pelos regimes autoritários, compondo um ambiente opressivo, com tons fortes dos estilos expressionistas e cyberpunk.

O diretor polonês se consagrou com uma espécie de tetralogia futurista com claras alusões ao regime político de seu país: Golem (1979), A guerra dos mundos: próximo século (1981), O-Bi, O-Ba: o fim da civilização (1985) e Ga-ga: glória aos herois (1986).

Depois do amanhecer

Depois do amanhecer (Après l’aurore, França, 2023), de Yohann Kouam. Com Mexianu Medenou, Chloé Lecerf, Rayan Bourouina. 

A narrativa acompanha um dia na vida de três personagens que moram em um conjunto habitacional na periferia da cidade. Yves, um artista, acaba de chegar de Berlim, onde morou por alguns anos. Ele tenta se reconectar com a família e antigos amigos do bairro onde cresceu. Hamza, um adolescente surdo, faz parte de um grupo de marginais e se defronta com desafios que podem levá-lo à criminalidade. Déborah, uma treinadora de basquete, vive solitária até que conhece uma jovem com quem começa um relacionamento. 

O filme é marcado por uma fotografia que destaca a noite e, simbolicamente, deixa a luz do início da manhã tomar conta desta periferia e seus personagens que transitam sem rumo, sem propósito definido, a não ser viver a cada dia depois do amanhecer.