Sibyl

Sibyl (França, 2019), de Justine Triet.

Sybyl é uma terapeuta que planeja abandonar a carreira para seguir seu sonho de ser escritora. Ela dispensa grande parte dos seus pacientes, mas aceita cuidar de Margot, jovem atriz que está grávida de Anton – os dois são protagonistas em um filme que está sendo rodado em Stromboli, com direção de Mika. O conflito de Margot é sua dúvida em relação ao planejado aborto, pois a gravidez atrapalharia sua iniciante carreira de atriz. 

A narrativa é marcadamente intimista, colocando os personagens em conflito com suas escolhas. Sibyll, frequentadora de um grupo de ex-alcoólatras, se envolve cada vez mais com Margot e com suas próprias experiências, acabando por usar tudo como referência para seu novo livro. 

O ponto forte da narrativa acontece em Stromboli, quando realidade e ficção se entrelaçam no exercício da metalinguagem. Durante as filmagens do longa-metragem, terapeuta/escritora, ator, atriz e diretora se envolvem em um complexo jogo amoroso com consequências imprevisíveis. 

Elenco: Virginie Efira (Sibyl), Adele Exarchopoulos (Margot), Gaspard Ulliel (Anton), Sandra Huller (Mika). 

Sete anos em maio

O média-metragem Sete anos em maio (Brasil, 2019), de Affonso Uchoa, foi concebido para ser exibido em sessões duplas com outro média-metragem, Vaga Carne (Brasil, 2019), de Grace Passô.  No entanto,  o isolamento social decorrente da pandemia abortou o projeto e os dois filmes foram lançados separados no streaming.

O filme de Affonso Uchoa começa com uma encenação de um fato real: o trabalhador Rafael caminha à noite para casa e é abordado por policiais, interpretados por jovens que se vestem de forma caricatural e conversam em tom de brincadeira sobre os artefatos que carregam – armas. Segue-se uma sequência de agressões e tortura, pois Rafael fora confundido com um traficante. Os policiais exigem dinheiro de Rafael. Acuado, o jovem foge para São Paulo, onde vive parte dos sete anos em um processo de degradação social: torna-se viciado em crack, envereda para o tráfico, retorna a Belo Horizonte onde segue seu destino de vício e tráfico. Sua vida fora destroçada pela polícia. 

Essa segunda parte da narrativa é revelada pelo próprio Rafael, em uma noite fria diante de uma fogueira. A princípio, o espectador pensa que ele conta sua história para a câmera, em um longo e bem construído plano sequência. Percebe-se que, na verdade, Rafael conversa com outro homem, que também fora vítima de agressão e extorsão policial. 

O estilo contemporâneo de documentário/ficção é a marca de Sete anos em maio. O filme é curto e minimalista, explorando a dor de Rafael através de uma fotografia expressionista, planos fechados e longos. A encenação da realidade provoca no filme de Rafael Uchôa um encontro doloroso com as memórias de quem sofreu a violência, a tortura, vivendo sete anos no inferno.