Caminhos ásperos

A trama narra o encontro entre o pistoleiro Hondo Lane, a fazendeira Angie Lowe e seu filho Johnny. Os três se conhecem na fazenda de Angie, o marido está ausente. É território apache em tempos de trégua, mas a paz está ameaçada pois os índios se preparam para a guerra e a cavalaria americana se posiciona na região. 

Caminhos ásperos segue a estrutura básica do gênero clássico: pistoleiro solitário chega a uma pequena fazenda, se apaixona pela mulher enquanto a ameaça indígena ronda. A virada acontece quando Hondo encontra o marido de Angie. O chefe apache Vittorio é destaque do filme: suas ações guerreiras são pontuadas por atitudes nobres. No final, uma frase define esses combates, glorificados pelo cinema americano, que massacraram a raça indígena: “É o fim de um modo de vida.”

Caminhos ásperos (Hondo, EUA, 1953), de John Farrow. Com John Wayne (Hondo Lane) e Geraldine Page (Angie Lowe), Lee Aaker (Johnny), Michael Patte (Vittorio). 

Os incríveis 2

A família Pêra está lutando nas ruas da cidade contra o poderoso Escavador. A destruição é generalizada e no final da batalha os super heróis são proibidos por lei de usar seus poderes e ficam enclausurados em casa. Entra em cena o milionário Winston Deavor e sua irmã Evelyn com uma proposta: Helena Pêra se juntar a ele e seus artefatos tecnológicos em batalha contra o crime. A ideia é resgatar a legião de super heróis. O problema é que, no primeiro momento, Roberto não pode participar das ações. Ele fica em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher se transforma em celebridade, heroína no combate aos criminosos. 

A animação continua com o tom ácido de crítica ao universo dos super heróis. A novidade é o controle nas mãos de Helena, enquanto Roberto sofre com as agruras do trabalho no lar. O ponto forte acontece quando o bebê Zezé revela também ser dotado de poderes e protagoniza situações hilárias. Ação frenética e bom humor, receita garantida no universo da animação digital.  

Os incríveis 2 (Incredibles 2, EUA, 2018), de Brad Bird. 

O retorno de Mary Poppins

Emily Blunt is Mary Poppins and Joel Dawson is Georgie in Disney’s MARY POPPINS RETURNS, a sequel to the 1964 MARY POPPINS, which takes audiences on an entirely new adventure with the practically perfect nanny and the Banks family.

Vinte e cinco anos depois, Mary Poppins retorna à casa dos Irmãos Banks. Michael perdeu a esposa recentemente, luta para cuidar dos três filhos e preservar a casa da família. A irmã Jane tenta ajudá-lo enquanto convive com a solidão. O banqueiro Wilkins, vilão da história, dá prazo de dias para Michael quitar a hipoteca, do contrário perderá a casa. 

Os musicais têm capítulo à parte na história do cinema americano. O original Mary Poppins está entre os mais queridos desta história. A continuação preserva o charme, o olhar deslumbrado das crianças e dos adultos diante da babá que chega e vai embora voando com a sombrinha, não se sabe de onde, para onde. O espectador que ama musicais vai junto.  

O retorno de Mary Poppins (Mary Poppins returns, EUA, 2018), de Rob Marshall. Com Emily Blunt (Mary Poppins), Colin Firth (William Wilkins), Ben Whishaw (Michael Banks), Emily Mortimer (Jane Banks), Meryl Streep (Cousin Topsey), Lin-Manuel Miranda (Jack).

Missão impossível – Efeito Fallout

Ethan Hunt está em arriscada missão envolvendo três ogivas de plutônio. Ele aborta os procedimentos quando vê sua equipe em risco e os artefatos caem nas mães de um grupo terrorista que passa a exigir a libertação do megaterrorista Solomon Lane. 

O sexto filme da série arrecadou cerca de 800 milhões de dólares nas bilheterias, se consagrando como o maior sucesso da franquia. Ação frenética e reviravoltas seguram a trama do início ao fim, com destaque para duas sequências de tirar o fôlego: a perseguição de veículos nas ruas de Paris e a impressionante sequência final do duelo dos helicópteros. Ethan Hunt/Tom Cruise provam que estão em forma e garantem vida longa a Missão impossível.

Missão impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossibile – Fallout, EUA, 2018), de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise (Ethan Hunt), Henry Cavill (August Walker), Rebecca Ferguson (ilsa Faust), Simon Pegg (Benji Dunn). Ving Rhames (Luther), Sean Harris (Solomon Lane).

Dumbo

A recente onda de adaptações live actions da Disney traz o elefante voador criado digitalmente em interação com elenco de artistas de um circo decadente. A história original foi adaptada com diversas modificações. Os irmãos Milly e Joe são responsáveis pela descoberta e treinamento de Dumbo para atos acrobáticos no circo. O pai dos garotos, Holt Farrier, volta da guerra sem um braço e tenta retomar os tempos áureos no palco como cavaleiro. O vilão Vandevere entra em cena para tentar lucrar com o elefantinho e, claro, o separa da mãe. 

O melhor do filme é a grande homenagem ao original. Como nos tempos modernos seria impensável Dumbo se embriagar, Tim Burton cria número no circo com bolhas de sabão revivendo os elefantes cor de rosa dançando no espaço. Os olhos deslumbrados de Dumbo acompanham a dança e, ao espectador, resta a vontade de voltar a tempos politicamente incorretos.  

Dumbo (EUA, 2019), de Tim Burton. Com Colin Farrel (Holt Farrier), Eva Green (Colette), Michael Keaton (Vandevere), Danny De Vito (Max Medici), Nico Parker (Milly), Finley Robbins (Joe).

Ilha dos cachorros

Wes Anderson toca fundo em questões ambientais e políticas, colocando em evidência temas como totalitarismo, corrupção, lixo tóxico, extermínio de etnias. O cenário é o Japão 20 anos no futuro. Para combater surto de febre entre os cachorros, o prefeito da cidade envia todos os cachorros para uma ilha lixão. Nessa espécie de presídio terminal, os cães formam gangues e duelam entre si por alimento. 

Spot, cão de guarda do jovem Atari (sobrinho do prefeito) chega a ilha e se reúne ao bando de Chief. Pouco depois, Atari também desembarca na ilha em busca de seu adorado cachorro. A animação em stop-motion rendeu a Wes Anderson o Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim. 

Ilha dos cachorros (EUA, 2018), de Wes Anderson. 

O passageiro

O ex-policial Michael McCauley pega todos os dias o trem para o trabalho como corretor de seguros em Nova York. Como sucede com tantos e tantos empregados, é demitido no final do dia e se vê às voltas com problemas sérios, como pagar a hipoteca da casa. Na volta para casa, no trem, é abordado por uma estranha mulher que faz a ele uma proposta: se Michael descobrir a identidade de certo passageiro, possivelmente terrorista, ganhará grande soma em dinheiro. Michael tem até o final da viagem para solucionar o mistério. 

Tramas em trens sempre fascinam o espectador e O passageiro guarda semelhanças com Contra o tempo. Nos dois filmes, o relógio é o inimigo dos protagonistas, decisões devem ser tomadas minuto a minuto. A trama de suspense de O passageiro (passo a passo o ex-policial se vê envolvido em intrincada rede de negócios, poder e polícia) traz questão ética premente: em situação de vulnerabilidade pessoal, até onde se pode ir por dinheiro.  

O passageiro (The commuter, EUA, 2018), de Jaume Collet-Serra. Com Liam Neeson (Michael McCauley), Vera Farmiga (Joanna), Patrick Wilson (Murphy), Sam Neill (Capitão Hawthorne). 

Para todos os garotos que amei

Vez por outra aparece uma comédia romântica com toque original. Lara Jean (Lana Condor) é filha de coreana com americano. A mãe faleceu jovem e deixa o viúvo com as três filhas. Como toda adolescente, Lara Jean tem paixões escondidas e escreve cartas (que nunca envia) para os pretendentes, entre eles o namorado de sua irmã. A irmã caçula acha as cartas escondidas em uma caixa e remete para cada um dos interessados. 

O encontro dos garotos e da garota após tomarem conhecimento das cartas rende situações engraçadas e provoca descobertas nos relacionamentos. O roteiro de Sofia Alvarez e a direção de Susan Johnson colocam em evidência o adolescente olhar feminino sobre a família, os colegas de escola, os namorados. Lana Condor carrega sua personagem com o deslumbramento e revolta no comportamento típicos da adolescência. Atenção para a hilária cena pós-créditos. 

Para todos os garotos que amei (To all the boys I’ve loved before, EUA, 2018), de Susan Johnson. Com Lana Condor, Noah Centineo, Jnel Parrish, Anna Cathcart. 

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Terra selvagem

As sequências de abertura determinam a desolação e dor que imperam na trama: adolescente corre sozinha pela planície gelada, texto poético acompanha seus passos, ela cai na neve; corta para coiote observando o rebanho de ovelhas até ser atingido por um tiro mortal.

As montanhas geladas do Wyoming são cenário para a história. O caçador Cory encontra o corpo de uma adolescente indígena. Ela foi estuprada e morreu correndo descalça na neve, asfixiada pelo frio que invade os pulmões até explodi-los. Jane, agente do FBI, é enviada para investigar.

O crime traz à tona o passado de Cory e coloca em relevo outros personagens também perdidos nesta paisagem desoladora: os habitante da reserva indígena. Terra sangrenta é escrito e dirigido por Taylor Sheridan, roteirista dos marcantes A qualquer custo e Sicario: terra de ninguém. O silêncio do filme no deserto gelado, pontuado pela trilha melancólica, evidencia a dor dos personagens, principalmente de Cory, que continua lutando na neve. Depois das perdas, resta a Cory a vingança e a Jane fechar os olhos para este mundo deserto e abandonado por todos, inclusive pelo governo.

Terra selvagem (Wind river, EUA/Canadá/Inglaterra, 2017), de Taylor Sheridan. Com Jeremy Renner (Cory), Elizabeth Olsen (Jane), Graham Greene (Ben).

Mamma mia! Lá vamos nós de novo

Deixe tudo de lado e se entregue mais uma vez ao Abba. Na sequência, foram incluídas 20 canções, entre elas WaterlooI have a dream, Dancing queen e Fernando. A história se passa agora em duas épocas. 

Sophie (Amanda Seyfried) prepara a festa de inauguração do hotel na paradisíaca ilha grega escolhida como morada por Donna (Meryl Streep). Diversos convidados são esperados, entre eles seus três pais. Flashbacks contam a história de Donna, a partir de 1979, quando ela chega à ilha, revelando como ela conheceu Sam, Harry e Bill. Passado e presente, tudo é pretexto para a sucessão de canções do Abba. Tanto pretexto que Andy Garcia interpreta o misterioso Fernando, introspectivo gerente do hotel. A deixa para o melhor do filme, quando a avó de Sophie, nada mais nada menos do que Cher, chega à ilha. É spoiler, me desculpem, mas é Fernando. 

Mamma mia! Lá vamos nós de novo (Mamma mia! Here we go again, EUA, 2018), de Ol Parker. Com Amanda Seyfried, Lilly James, Meryl Streep, Cher, Andry Garcia, Pierce Brosnan.