Terra abençoada

Terra abençoada (Mot khu dat tot, Vietnã, 2019), de Pham Ngoc Lan. Com Hoàng Hà, Minh Chau, Thuy Anh, Huy Tien. 

Uma mulher, junto com seu filho adolescente, visita um antigo cemitério, percorrendo-o em vão em busca do túmulo de seu marido. Um pedaço do cemitério foi demolido para dar lugar a um luxuoso campo de golfe, a outra parte está abandonada: os túmulos em estado de decomposição convivem com pântanos e areais. Um pastor também está no local, aproveitando o terreno para alimentar suas vacas. 

A narrativa curta tece críticas sociais sobre a desigualdade social e sobre como o progresso interfere no meio ambiente e nas tradições sociais. Enquanto a mulher e o filho percorrem o terreno abandonado, do outro lado da colina, um homem joga golfe, acompanhado de sua amante bem mais jovem. O conflito entre as classes é demarcado pela forma como se relacionam com o meio-ambiente, com os recursos naturais, com o terreno que serve de moradia para os mortos e, ao mesmo tempo, como deleite para os homens endinheirados. 

O verão e todo o resto

O verão e todo o resto (L’été et tout le reste, Holanda, 2018), de Sven Bresser. 

Marc-Antoine (Marc Antoine Innocenti) e Mickael (Mickael Danguis Fasolo) trabalham em uma ilha que, durante o verão, fica repleta de turistas. Com o fim da temporada, a ilha fica vazia e os jovens planejam rumar para o continente em busca de outro tipo de trabalho. O conflito se anuncia quando Marc, contrariando seu amigo, revela que pretende ficar no local. 

A narrativa debate a busca dos anseios da juventude. Michael não hesita em partir e enfrentar os desafios que se apresentam em uma nova sociedade, enquanto Marc hesita, prefere naquele momento continuar com sua rotina solitária. A sequência da aclamada festa na ilha, frequentada por Marc e meia dúzia de amigos, é o sintoma dessa relação conflituosa entre o esplendor das temporadas de verão e o vazio do dia-a-dia dessas cidades que vão se perdendo no tempo. 

Letícia, Monte Bonito, 04

Letícia, Monte Bonito, 04 (Brasil, 2020), de Julia Regis.

É uma tarde quente de verão em uma “venda” de beira de estrada no interior do Rio Grande do Sul. Laís (Eduarda Bento) está sentada no banco da entrada do sobrado, esperando o pai. Ela ouve música no andar de cima e, curiosa, entra pela casa. Letícia (Maria Galant) a surpreende, depois a convida para conhecer o quarto. 

O curta de Julia Regis, vencedor do Prémio do Público no Mix Brasil, acompanha com lentidão o relacionamento entre as duas jovens. Elas se divertem em brincadeiras inocentes com bichos de pelúcia, ouvem CDs, dançam ao som de MPB, tentam se refrescar no ventilador. Passo a passo o flerte, leves toques e insinuações delineiam uma sensível e delicada descoberta.