A inocente face do terror

A inocente face do terror (The other, EUA, 1972), de Robert Mulligan, compõe o painel de filmes de thriller psicológico com nuances de terror que dominou o cinema americano dos anos 70. Outra marca recorrente neste gênero é uma criança adorável como pivô de atos de assssinato e terror. 

Em uma pequena cidade do interior, vivem os irmãos gêmeos idênticos, Niles e Holland. Niles é dócil e encantador, mas seu irmão apresenta uma personalidade agressiva, doentia, provocando uma série de mortes na fazenda onde vivem e nos arredores. Desde o início, é possível antecipar a reviravolta da trama, o que torna A inocente face do terror ainda mais assustador. 

O roteiro foi escrito por Tom Tryon, adaptando seu próprio romance. O diretor trabalha com elipses nas principais sequências de morte, não poupando nem mesmo crianças dos atos brutais de Holland. Perto do final, acontece uma das cenas mais aterradoras do cinema, mesmo que não mostrada, invade a mente do espectador. O que se segue também é um ato brutal de punição e tentativa de dar fim ao horror. Mas, como é marca do gênero, a última imagem deixa o final em aberto. 

Elenco: Uta Hagen (Ada), Diana Muldaur (Alexandra), Chris Udvarnoky (Niles Perry), Martin Udvarnoky (Holland Perry). 

A semente do fruto sagrado

A semente do fruto sagrado (Irã, 2024), de Mohammad Rasoulof, é um contundente relato ficcional (combinando com cenas documentais) das manifestações que aconteceram no Irã em setembro de 2022. Durante os protestos, deflagrados pela morte de Mahsa Amini, jovem de 22 anos, após ser presa pela polícia moral do país por uso incorreto do véu, centenas de manifestantes foram mortos.

No filme, Iman é nomeado investigador do estado repressor iraniano. Entre outras funções, ele deve assinar as sentenças de morte dos presos. Em casa, Iman passa a lidar com os conflitos que sua profissão provoca até que a arma que ele carrega desaparece. As suspeitas são suas filhas adolescentes, Rezvan e Sana. Najmeh, esposa e mãe, tenta apaziguar e resolver o problema, se dividindo entre a fidelidade patriarcal ao marido e o amor pelas filhas,

A maior parte do filme se passa em Teerã, destacando o conflito nas ruas, as prisões e atos de violência contra os manifestantes. Na parte final, Iman leva a família para sua casa no interior, quando seu comportamento violento e irascível se manifesta contra as filhas e esposa, transformando a narrativa em um thriller de suspense. 

O filme foi censurado no Irã e o diretor Mohammad Rasoulof sofreu punições. No entanto, conseguiu escapar para a Alemanha. A semente do fruto sagrado  recebeu um prêmio especial do júri no Festival de Cannes e concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 

Elenco: Soheila Golestani (Najmeh), Missagh Zareh (Iman), Setareh Maleki (Sana), Mahsa Rostami (Rezvan), Niousha Akhshi (Sadaf).