O grande chefe

O grande chefe (Direktøren for det hele, Dinamarca, 2006), de Lars Von Trier. 

Lars von Trier propõe uma narrativa leve e descontraída, sem o peso estético e dramático de seus principais filmes, em uma comédia que destila críticas ao neoliberalismo empresarial. Ravn (Peter Gantzler) é o fundador e chefe de uma empresa de TI, especializada em jogos digitais, que se esconde dos seis funcionários que tem, todos com participação na empresa. Ninguém sabe que Ravn é o chefe, para todos, ele é o braço direito do verdadeiro dono, que nunca deu as caras. Decidido a negociar a empresa, Ravn contrata o ator Kristoffer (Jens Albinus) para assumir as transações. 

A trama apresenta uma comédia de mal-entendidos que caminha para o trágico: se a empresa for vendida, todos ficam sem seus empregos. As relações profissionais e pessoais tomam rumos imprevisíveis e o ator começa a gostar da situação, acreditando que está desempenhando o grande papel da sua vida.  

O polêmico diretor dinamarques usou nas filmagens a inovadora técnica Automavision: através de uma ferramenta, a câmera escolhe aleatoriamente os enquadramentos, motivando a imprevisibilidade e consequente improvisação dos atores. Jens Albinus, um dos protagonistas do subversivo Os idiotas (1998) surpreende com sua atuação caricatural, protagonizando o grande momento do final do filme, quando pretensamente sua arte é reconhecida.

Europa

O americano Leopold Kessler chega a Frankfurt logo após o término de Segunda Guerra para trabalhar como condutor de uma grande empresa ferroviária. A Zentropa está nos planos dos americanos para reconstruírem o sistema de transporte alemão. No entanto, os trens são atacados por um grupo de nazistas, conhecidos como Lobisomens. 

Europa fecha a trilogia de Lars von Trier de tramas ambientadas no continente, os outros são Elemento de um crime (1984) e Epidemia (1987). Kessler é um jovem idealista que sonha em ajudar na reconstrução da Alemanha. Ele se envolve com a bela e sedutora Katharina, filha do dono da Zentropa, que o envolve num perigoso jogo entre os americanos e os simpatizantes nazistas. 

A enigmática narração em off guia Kessler e, consequentemente, o espectador na trama. A narração é quase um transe hipnótico, misteriosa e envolvente.  A claustrofobia das cenas noturnas durante as viagens dos trens remetem a uma Europa sem rumo, reforçada pela exuberante fotografia em preto e branco, que em alguns momentos se mescla com cores (atenção para a montagem da sequência do casamento) claramente com referências do cinema noir. O filme conquistou três prêmios no Festival de Cannes, incluindo o Prêmio do Júri, e colocou Lars von Trier no foco internacional. 

Europa (Dinamarca, 1991), de Lars von Trier. Com Jean-Marc Barr (Leopold Kessler), Barbara Sukowa (Katharina Hartmann), Udo Kier (Lawrence Hartmann), Jorgen Reenberg (Marx Hartmann).

Druk – Mais uma rodada

Martin é professor de história de uma escola de ensino médio na Dinamarca. Passa por momentos de desinteresse em suas aulas e é questionado por pais e alunos durante uma reunião. Em casa, enfrenta o desgaste do casamento com Anika. Sai com seus amigos professores Tommy, Nikolaj e Peter para uma noitada no bar. Quando Nikolaj apresenta aos amigos a tese de um pesquisador sobre os efeitos de determinada medida de álcool no organismo como motivador, os quatro amigos resolvem experimentar esse conceito.

Druk – Mais uma rodada é uma fascinante inserção nos conflitos, amarguras, frustrações de pessoas na meia-idade, tanto em termos profissionais como pessoais. Do outro lado, os jovens da escola também enfrentam seus conflitos, principalmente a pressão a que são submetidos pela necessidade de médias altas para seguirem na vida estudantil. O álcool permeia esses universos como um elemento, assim como todas as drogas, de escapismo e motivador frente à vida. Mas se torna cada vez mais e mais perigoso.  

Druk – Mais uma rodada (Druk, Dinamarca, 2020), de Thomas Vinterberg. Com Mads Mikkelsen (Martin), Thomas Bo Larsen (Tommy), Magnus Millang (Nikolaj), Lars Ranthe (Peter), Maria Bonnevie (Anika).