
Arquivo diário: 14 de outubro de 2024
Meu guia, meu mentor

Entrei na faculdade em 1983 disposto a cursar Jornalismo. Na época, era o curso de Comunicação Social, na metade do curso, a gente escolhia uma das três graduações: Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas. Desde criança, escrever fazia parte do meu cotidiano, portanto, o Jornalismo era uma opção natural.
Estávamos nos anos 80 e alguma coisa acontecia no horário nobre da TV: uma série de comerciais criativos, irreverentes, que começaram a despertar minha atenção e fascínio para a Publicidade e Propaganda. Quando optei pela Publicidade, na metade do curso de Comunicação, ser redator já tomara conta de meus desejos.
Eram os anos 80 e aqueles filmes publicitários que me encantavam tinham um nome por trás: Washington Olivetto. Claro, ele não era o autor de todos, mas ninguém tem dúvidas de que Olivetto já era a grande referência no universo da criação publicitária. Naquele momento e durantes muitos anos depois, ser Washington Olivetto era o sonho de todo jovem redator, como eu, quando passei a compor o time de criação de grandes agências de Belo Horizonte.
Todos que me conhecem, como redator e professor, sabem que literatura e cinema fazem parte da minha vida e da minha carreira profissional. Aplicar no texto publicitário e nos roteiros de filmes publicitários as referências da literatura e do cinema foi a maior inspiração que busquei em Washington Olivetto. O comercial da Valisére é algo impossível de classificar, categorizar ou até mesmo elogiar. São 90 segundos de pura narrativa cinematográfica, uma história contada inteiramente por meios visuais, a arte do cinema. Depois desse filme, toda vez que eu estava trabalhando em um roteiro, pensava: é possível contar uma história em alguns segundos.
Minha homenagem a Washington Olivetto tem que ser assim, pessoal, das minhas memórias. Descanse, meu guia, meu mentor, meu amigo (a gente não precisa conhecer pessoalmente alguém para se sentir amigo, penso em todos os meus ídolos assim).