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  • O lutador

    O lutador (The wrestler, EUA, 2008), de Darren Aronofsky, é um filme mediano, destes produtos típicos do cinema contemporâneo, celebrado mais pela estratégia de marketing do que pelo valor da obra. Refiro-me à escolha de Mickey Rourke como protagonista. A indústria usou os paralelos entre a vida do ator e do personagem que interpreta para divulgar histórias de redenção individual. Rourke interpreta Randy “Carneiro” Robinson, envelhecido praticante de luta livre que é obrigado a abandonar os ringues devido a problemas de saúde. Ele busca a redenção pessoal, tentando se reconciliar com a filha, e profissional, preparando uma suicida volta aos combates.

    Mickey Rourke concorreu ao Oscar de  melhor ator pelo filme o que valeu para a indústria de cinema também uma boa história de redenção, dessas que bem utilizadas pelo marketing rendem bilheterias e críticas. Rourke trabalhou em três grandes filmes na década de 80: Corpos ardentes (1981), O selvagem da motocicleta (1983) e Coração satânico (1987). Depois se perdeu em produções apelativas como 9 ½ semanas de amor (1986) e Orquídea selvagem (1989).

    Começa então sua conturbada história pessoal, motivada principalmente pela decisão de abandonar a carreira para se dedicar ao boxe, atividade que deformou seu rosto. Viveu no ostracismo cinematográfico, se envolvendo em polêmicas e escândalos, até que voltou às manchetes do cinema em Sin City (2005), com uma atuação supervalorizada. O filme é mais uma experimentação gráfica do que performance de qualquer ator em cena.

    Em O lutador, ele parece ter amadurecido como ator, caracterizando seu personagem com contida amargura. A grande discussão do filme é a amargura dos que vivem do passado. Há uma sequência do filme que reflete esse conflito, com perfeito uso da linguagem do cinema, especificamente do som.

    Randy “Carneiro” Robinson sofre enfarte após uma luta e é forçado pelo médico a abandonar os ringues. Para sobreviver, ele consegue emprego como atendente no setor de frios de um supermercado. Randy está no banheiro do supermercado, se preparando para seu primeiro dia de trabalho. Ele anda pelo ambiente, se olha no espelho, sai pela porta. A câmera o acompanha em travelling, filmando-o de costas enquanto ele caminha pelos corredores internos do supermercado. As paredes bem próximas, ambientação escura, como em passagens subterrâneas de estádios. Ele passa pela sala, respira fundo, desce os degraus da escada, passa por funcionários empilhando caixas. Neste momento, ouve-se som ritmado de torcida cantando, como se aguardasse a entrada do astro, do ídolo. A câmera ainda foca Randy de costas. Ele para em frente à cortina de tiras de plásticos, respira fundo, como uma espécie de ritual no momento de entrar no ringue. O som dos torcedores pontua a cena. Randy abre as cortinas e, exatamente quando passa pelo umbral, o som da torcida termina. Ele está agora em seu local de trabalho. Vai passar o dia cortando presuntos, servindo maioneses, pesando mussarelas. O momento de glória de Randy terminou, vai ficar na memória, como canções entoadas por fãs martelando em seu cérebro.

  • O lobisomen

    A Londres do cinema é enigmática, sombria, beira o realismo fantástico. As ruas mal iluminadas pelas precárias lamparinas a gás. A neblina saindo do chão, envolvendo personagens cobertos por sobretudos e chapéus escuros que escondem as faces e as intenções de assassinos e psicopatas. Pontes soturnas sobre o Rio Tâmisa, inspirando um ou outro suicida. Bares em obscuros porões onde o submundo espera a noite para se mostrar aos habitantes. Cientistas desfigurados atrás de frascos de experimentos ou cadáveres insepultos. Prédios medievais cujas janelas podem ser estilhaçadas por criaturas da noite no momento em que uma nuvem atravessa a lua ou um raio de tempestade irrompe. Vielas sujas por onde transitam miseráveis,  bandidos, crianças perdidas, jovens ingênuas e prostitutas prestes a se deparar com estripadores.

    O lobisomem não é personagem característico das ruas londrinas, está associado aos campos tenebrosos da Inglaterra, formado por árvores seculares que suscitam as mais diversas fantasmagorias na imaginação do espectador, bem como aos pântanos sorrateiros e assassinos. O uivo lancinante do lobisomem com a lua cheia tomando conta da tela parece ecoar por toda a Inglaterra e pelo imaginário dos amantes do cinema.

    Tudo isto está no lobisomem interpretado por Benicio Del Toro. É desses clichês a que nos acostumamos e, quando bem revisitados, enchem a alma do espectador de premonições, de sonhos incompreensíveis. Após a sessão, é comum acordar sobressaltado do sono, mesmo que você já seja conhecedor destas cenas, dessa essência do gênero terror.

    A sequência mais impressionante do filme acontece em Londres, quando a criatura é perseguida pelos prédios e ruas da cidade. Ela salta pelos prédios com a agilidade inconstante de sua natureza, misto de humano, lobo e monstro. O instinto faz o lobisomem dilacerar rostos e vísceras pelo caminho. Rompe o cerco pelas ruas com fúria monstruosa.

    O filme é digno representante deste cinema sobrenatural que se torna a cada refilmagem mais realista e impressionante nas cenas de transformação e de ataques da criatura. Cinema remodelado através das infinitas possibilidades digitais, com cenas impressionantes, mas consciente do verdadeiro terror que está na gênese do lobisomem: o que não se mostra, o que não se vê, é que deixa nitidamente a imagem no espectador.

    O lobisomem (The wolfman, EUA, 2010), de Joe Johnston.

  • O iluminado

    – Johnny está aqui.

    Este grito de Jack Torrance (Jack Nicholson) com o rosto no buraco da porta é das cenas ícones do cinema. Traduz o enlouquecimento completo do pacato e amável pai de família, acometido pela síndrome do isolamento, tema central do filme O iluminado (The shining, EUA, 1980), de Stanley Kubrick.

    Jack Torrance, escritor frustrado, é contratado como zelador de um hotel nas montanhas do Colorado durante o inverno. Ele, a mulher (Shelley Duvall) e o filho (Danny Lloyd) vão ficar durante seis meses sozinhos, isolados pela neve. Aos poucos, os membros da família sofrem de alucinações e Jack começa a enlouquecer, assombrado por estranhos personagens do passado do hotel.

    O filme é das mais perfeitas combinações de técnicas cinematográficas – som, fotografia, montagem – com interpretação de atores para evidenciar no espectador o sentimento perturbador que nos acompanha por toda a vida: o medo.

    As sequências do menino Danny andando de velotrol pelos corredores do hotel são exemplares no uso do travelling e do som. O barulho das rodas, estridente quando passa pelo piso e macio quando em cima dos tapetes, se assemelha à respiração tensa e descompassada, às vezes calma, logo em seguida ansiosa diante da expectativa do que o menino vai encontrar após a próxima curva.

    A câmera baixa acompanha o andar do brinquedo, filmando o garoto por trás. À frente, as dependências do hotel e os longos corredores ganham sentido gigantesco, assustador. Aos olhos do menino, que vê tudo do chão, as coisas ganham essa dimensão ao mesmo tempo fascinante e incompreensível, como se apesar do medo tudo tivesse que ser explorado.

    Desde o início do filme, Danny vê imagens de duas meninas de mãos dadas, paradas à frente. Inserts que duram segundos na tela, como fragmentos de imagens de sonhos. Ao abrir dos olhos, nos deparamos com a imagem estampada na parede, na porta do quarto, no corredor da casa. Este medo real, possível, torna diversas sequências do filme grandes momentos do suspense no cinema.

    As inserções aguçam a sensibilidade do espectador. As irmãs de mãos dadas. A câmera parada na porta do hotel. O líquido vermelho entrando repentinamente pelas laterais – o vermelho e o branco da neve compõem grande parte da estética do filme, simbologia assustadora e ao mesmo tempo bela. Os olhos de Jack Nicholson. Tudo prepara o espectador para as sequências finais do enlouquecimento do personagem – não é preciso falar da interpretação de Jack Nicholson, basta uma imagem e você sabe que está diante das mais impressionantes transformações de ator.

    A sequência de abertura de O iluminado faz parte de minhas lembranças de um filme no cinema. O lento travelling da câmera aérea, acompanhando o carro pela estrada sinuosa, emoldurada por lagos, florestas, descampados, montanhas nevadas, túnel, até terminar no grande plano do hotel que se confunde com a própria paisagem.  A música define que estamos diante de um filme tenso. Tenso e belo.

    Essa lentidão domina grande parte do filme.  Duas características que o cinema moderno perdeu: belas aberturas enquanto os créditos passam pela tela e a proposital lentidão em filmes de suspense para preparar o espectador, criar tensão e ansiedade aos poucos. Hoje, a maioria das obras de suspense e terror começam abruptamente, já com cenas impactantes.

    Stanley Kubrick (1928-1999) trabalhou no início da carreira como fotógrafo da revista Look. Isso ajuda a entender o cuidado estético que tinha com cada cena. Perfeccionista, beirando a obsessão, seus filmes demoravam em média cinco anos entre a concepção e finalização. Ele dirigiu apenas 13 longa-metragens, entre eles o maior clássico da ficção científica: 2001 – uma odisséia no espaço (1968).

    O iluminado é adaptado do livro homônimo de Stephen King, um dos grandes marcos da literatura sobrenatural. Kubrick usou a ideia central do livro e recriou a história com concepções cinematográficas. Stephen King não gostou da adaptação e produziu anos depois um novo filme, seguindo passo a passo o enredo do livro.

    A obra de Kubrick está além de todas essas discussões sobre quem é o maior responsável pelo sucesso do filme. A interpretação de Jack Nicholson? A história de Stephen King? A direção de Stanley Kubrick? Ou o espectador, sentado na cadeira do cinema diante do medo puro e simples das imprevisíveis oscilações da mente humana?

  • O justiceiro

    A população de uma cidade do estado de Connecticut (mas poderia ser qualquer outra, como anuncia o narrador) está revoltada contra o assassinato de um querido pastor. O assassinato do reverendo é frio e brutal: tiro disparado em sua nuca, à queima-roupa, no início da noite, em movimentada rua da cidade. Seis testemunhas dizem ter presenciado o crime, mas a única evidência do autor é que ele usava chapéu preto e sobretudo também escuro. Como milhares de outros americanos.

    Elia Kazan faz sua incursão pelo cinema noir quase em estilo documental, respeitando os cânones do gênero: fotografia noturna em preto e branco, gravação em interiores, o narrador, um crime, policiais que transitam sem rumo pelo submundo. Pressionada pelo poder público, a polícia prende um suspeito e O justiceiro ganha os rumos de filme no tribunal.

    Dana Andrews está perfeito como o promotor em dúvida sobre a culpa do acusado, sua performance no tribunal, reconstituindo o crime como investigador perspicaz é perfeita. Revela as falhas da polícia, das testemunhas sugestionáveis, do sistema em busca de sustentação política, mesmo que para isto seja preciso condenar um inocente. Um filme para pensar sobre a justiça.

    O justiceiro (Boomerang, EUA, 1947), de Elia Kazan. Com Dana Andrews, Jane Wyatt, Lee J. Cobb.

  • Operação skyfall

    Em uma cena do filme Hitchcock (EUA, 2012), o produtor informa ao famoso diretor que estão querendo contratá-lo para dirigir Cassino Royale, baseado em livro de Ian Fleming. Hitchcock responde que já dirigiu um filme assim, se referindo a Intriga Internacional (1959).

    Com Intriga internacional, Hitchcock praticamente lançou o estilo de filmes modernos de ação, influência direta para a série 007. Ainda no recente filme sobre o mestre do suspense, Hitchcock se depara com críticas considerando exagerado o final de Intriga internacional. Locações em várias cidades, um protagonista charmoso, perseguições mirabolantes e ações exageradas estão no filme de Hitchcock assim como em toda película de James Bond.

    Operação skyfall (Skyfall, EUA, 2012), de Sam Mendes. segue a risca os clichês que fazem de James Bond um dos personagens mais cultuados do cinema. Mas há um aspecto que me incomoda desde Cassino Royale (2006): a seriedade carrancuda que Daniel Craig impôs ao personagem. A crítica saúda este estilo como a humanização de Bond. O agente agora está entregue à fragilidade diante de questões contemporâneas como terrorismo e tortura. Ele sofre física e psicologicamente como qualquer um de nós. Gosto mais do James Bond de Sean Connery e Roger Moore: irreverente, despretensioso, irresistivelmente charmoso, irretocável e não ligando a mínima para sofrimento ou a possibilidade da morte.

    Parte desta crítica também elegeu Skyfall como o melhor filme de toda a série, exagero. O filme tem uma sequência final das mais belas, estética fascinante das terras geladas da Escócia combinada com ação envolvente. Mas de resto, é normal e despretensioso como qualquer outro Bond, com o agravante de uma solução comum de roteiro: o bandido que se deixa prender para entrar no QG do inimigo e depois empreender fuga espetacular.

    A tecnologia cada vez mais avançada e as infinitas possibilidades de manipulação da imagem e dos efeitos fazem com que determinados filmes deste tempo se sobressaiam no quesito cenas espetaculares. A tendência é James Bond ficar mais e mais empolgante, mas isto não transforma os filmes recentes em melhores da série. O fato de um personagem mais humano muito menos, pois James Bond não é personagem comum.

    Termino com a difícil lista dos meus filmes favoritos de 007, colocando, é claro, Intriga internacional de Hitchcock como hors concours.

    007 contra a chantagem atômica (Thunderball, 1965) Terence Young

    007 contra Goldfinger (Goldfinger, 1964) Guy Hamilton

    007 contra o satânico Dr. No (Dr. No, 1962) Terence Young

    007 o espião que me amava (The spy who loved me, 1977) Marvin Hamlisch

    007 os diamantes são eternos (Diamonds are forever, 1971) Guy Hamilton

    007 somente para seus olhos (For your eyes only, 1981) John Glenn

    007 a serviço secreto de sua majestade (On her majesty’s  secret service, 1969) Peter Hunt

  • Vidro

    O justiceiro David Dunn é preso e encaminhado a uma instituição psiquiátrica. No mesmo local, estão internados Vidro Elijah e Kevin, junto com suas 24 personalidades. O ousado roteiro de M. Night Shyamalan reúne os personagens de Corpo fechado e Fragmentado, cujos dons são estudados pela Doutora Ellie Staple. Cada um está enclausurado em um quarto com dispositivos que evitam o uso dos poderes. O problema é que Vidro tem um plano: colocar David e Kevin frente a frente em batalha épica.

    M. Night Shyamalan encerra trilogia iniciada em 2000. James McAvoy continua com seu show particular na interpretação das diversas personalidades;  Bruce Willis interpreta um justiceiro contido e amargo; Samuel L. Jackson é o retrato da personalidade fechada em si mesma, pronta para explodir a qualquer momento. O universo dos quadrinhos é homenageado mais uma vez. 

    Vidro (Glass, EUA, 2019), de M. Night Shyamalan. Com James McAvoy (Kevin), Bruce Willis (David Dunn), Samuel L. Jackson (Vidro Elijah)., Saraha Paulson (Ellie Staple).

  • A longa caminhada de Billy Lynn

    Guerra do Iraque. O jovem soldado Billy Lynn tenta salvar o Sargento Dime de um ataque inimigo nas ruas da cidade, se confrontando sozinho com guerrilheiros iraquianos. O ato é registrado pelas câmeras de um fotógrafo, Billy Lynn é considerado herói e vira celebridade nos EUA. Para homenagear a equipe Bravo, regimento da qual o soldado faz parte, o presidente Bush organiza recepção durante um jogo de futebol americano.

    A longa caminhada de Billy Lynn narra este único dia na vida dos soldados: primeiro o encontro de Billy com sua família, depois no estádio de futebol. Flashbacks reconstituem as memórias e sensações do soldado herói no Iraque.

    O diretor taiwanês Ang Lee compõe uma peça crítica e melancólica dos jovens sem rumo após os ataques de 11 de setembro, praticamente forçados à guerra contra o terror (Billy Lynn é obrigado pelo pai a se alistar para fugir da acusação de delinquência juvenil). A câmera no rosto de Billy em vários momentos constrangedores das homenagens no estádio, depois entrando nas memórias da guerra do Iraque, alertam para este país centrado nas aparências, nos devaneios midiáticos. Aos soldados cabe apenas se amparar uns nos outros, como na simbólica sequência final dentro da gigantesca limusine.

    A longa caminhada de Billy Lynn (Billy Lynn’s long halftime walk, EUA, 2016), de Ang Lee. Com Joe Alwyn (Billy Lynn), Kristen Stewart (Kathryn), Garret Hedlund (Dime), Vin Diesel (Shroom).

  • A esposa

    Filme abre com o casal Joan e Joe Castleman recebendo ligação informando que o escritor Joe receberá Prêmio Nobel de Literatura. A trama narras os conflitos do casal, envolvendo o filho também escritor, durante a viagem para receber o prêmio. 

    Glenn Close foi indicada ao Oscar de melhor atriz e praticamente carrega o filme. A princípio, os conflitos indicam traumas em família: a infidelidade de Joe, a frustração do filho escritor que sente a sua literatura desprezada pelo pai, a necessidade de afirmação de Joan diante do sucesso do marido. A entrada em cena do jornalista disposto a escrever a biografia do escritor provoca a virada do roteiro, pois Joan pode esconder segredo relacionado a autoria dos textos literários de Joe. 

    A esposa (The wife, EUA, 2017), de Bjorn Runge. Com Glenn Close (Joan Castleman), Jonathan Pryce (Joe Castleman), Christian Slater (Nathaniel Bone), Max Irons (David Castleman). . 

  • Podres de ricos

    O filme explora as tradicionais esquetes da comédia romântica: coloca casal apaixonado em rota de colisão com as convenções de distinção de classes. Nick Young mora nos Estados Unidos e pertence a uma das famílias mais ricas de Singapura. Sua namorada é a professora de Economia Rachel Chu. A mãe, imigrante, a criou sozinha, lutando para dar educação à filha. 

    Os namorados viajam para Singapura para a festa de casamento de um amigo de Nick. Rachel é apresentado aos milionários parentes e de imediato tem de enfrentar a resistência de Eleanor Young, mão de Nick. 

    Podres de ricos foi dos maiores sucessos de bilheteria no verão americano de 2018. A narrativa é recheado de sequências glamourosas ambientadas na extravagante cidade asiática. A arquitetura suntuosa de Singapura e o mar paradisíaco servem de cenário para engraçadas e a velha e boa trama de encontros e desencontros entre dois jovens apaixonados.  

    Podres de ricos (Crazy rich asians, EUA, 2018), de Jon M. Chu. Com Henry Golding (Nick Young), Constance Wu (Rachel Chu), Michelle Yeoh (Eleanor Yong).

  • Capitã Marvel

    Anos 90. Carol Danvers, guerreira Kree, participa heroicamente de batalha com os guerreiros de planeta vizinho. Nos sonhos, é assombrada por um possível passado na Terra como piloto de caças. Após a batalha, Carol volta à Terra, encontra o jovem Nick Fury e pessoas do seu passado. A jornada coloca Carol e Nick frente a frente com os Skrulls, alienígenas que podem assumir qualquer aparência. A virada de roteiro define quem são os verdadeiros inimigos da Capitã Marvel e dos habitantes da Terra. 

    A saga épica de Os Vingadores dá o tom da narrativa, com apresentações da origem da personagem até ela vestir a famosa roupa e se transformar na super heroína. O destaque do filme são, claro, as batalhas engrandecidas pelos efeitos digitais e o impressionante rejuvenescimento digital do ator Samuel L. Jackson. 

    Capitã Marvel (EUA, 2019), de Anna Boden e Ryan Fleck. Com Brie Larson (Capitã Marvel), Samuel L. Jackson (Nick Fury)

  • Homem-Aranha no Aranhaverso

    A animação comprova que é possível ser original no clicherizado universo dos filmes de super heróis. A trama reúne seis versões do Homem-Aranha vindos de outras dimensões. O protagonista é Miles, garoto negro que vive em conflito com o pai policial e idolatra o tio grafiteiro. Durante uma incursão aos metrôs com o tio para grafitar, Miles é picado por aranha radioativa. Um portal é aberto e juntam-se a Miles as outras encarnações do Aranha: um Peter Parker barrigudo e desiludido, separado da mulher; a Mulher-Aranha Gwen Stacy, o Homem-Aranha noir, um incrível Porco-Aranha e Peni Parker, Garota-Aranha. 

    Bom humor e reviravoltas dominam a trama. Os aracnídeos combatem o Rei do Crime e devem resolver o problema do portal para que cada um volte à sua dimensão de origem. Além de diversão garantida, a animação toca em questões filosóficas e existenciais envolvendo os personagens da infância à maturidade. 

    Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: into the spider verse, EUA, 2018), de Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothmann.

  • Caminhos ásperos

    A trama narra o encontro entre o pistoleiro Hondo Lane, a fazendeira Angie Lowe e seu filho Johnny. Os três se conhecem na fazenda de Angie, o marido está ausente. É território apache em tempos de trégua, mas a paz está ameaçada pois os índios se preparam para a guerra e a cavalaria americana se posiciona na região. 

    Caminhos ásperos segue a estrutura básica do gênero clássico: pistoleiro solitário chega a uma pequena fazenda, se apaixona pela mulher enquanto a ameaça indígena ronda. A virada acontece quando Hondo encontra o marido de Angie. O chefe apache Vittorio é destaque do filme: suas ações guerreiras são pontuadas por atitudes nobres. No final, uma frase define esses combates, glorificados pelo cinema americano, que massacraram a raça indígena: “É o fim de um modo de vida.”

    Caminhos ásperos (Hondo, EUA, 1953), de John Farrow. Com John Wayne (Hondo Lane) e Geraldine Page (Angie Lowe), Lee Aaker (Johnny), Michael Patte (Vittorio). 

  • Os incríveis 2

    A família Pêra está lutando nas ruas da cidade contra o poderoso Escavador. A destruição é generalizada e no final da batalha os super heróis são proibidos por lei de usar seus poderes e ficam enclausurados em casa. Entra em cena o milionário Winston Deavor e sua irmã Evelyn com uma proposta: Helena Pêra se juntar a ele e seus artefatos tecnológicos em batalha contra o crime. A ideia é resgatar a legião de super heróis. O problema é que, no primeiro momento, Roberto não pode participar das ações. Ele fica em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher se transforma em celebridade, heroína no combate aos criminosos. 

    A animação continua com o tom ácido de crítica ao universo dos super heróis. A novidade é o controle nas mãos de Helena, enquanto Roberto sofre com as agruras do trabalho no lar. O ponto forte acontece quando o bebê Zezé revela também ser dotado de poderes e protagoniza situações hilárias. Ação frenética e bom humor, receita garantida no universo da animação digital.  

    Os incríveis 2 (Incredibles 2, EUA, 2018), de Brad Bird. 

  • O retorno de Mary Poppins

    Emily Blunt is Mary Poppins and Joel Dawson is Georgie in Disney’s MARY POPPINS RETURNS, a sequel to the 1964 MARY POPPINS, which takes audiences on an entirely new adventure with the practically perfect nanny and the Banks family.

    Vinte e cinco anos depois, Mary Poppins retorna à casa dos Irmãos Banks. Michael perdeu a esposa recentemente, luta para cuidar dos três filhos e preservar a casa da família. A irmã Jane tenta ajudá-lo enquanto convive com a solidão. O banqueiro Wilkins, vilão da história, dá prazo de dias para Michael quitar a hipoteca, do contrário perderá a casa. 

    Os musicais têm capítulo à parte na história do cinema americano. O original Mary Poppins está entre os mais queridos desta história. A continuação preserva o charme, o olhar deslumbrado das crianças e dos adultos diante da babá que chega e vai embora voando com a sombrinha, não se sabe de onde, para onde. O espectador que ama musicais vai junto.  

    O retorno de Mary Poppins (Mary Poppins returns, EUA, 2018), de Rob Marshall. Com Emily Blunt (Mary Poppins), Colin Firth (William Wilkins), Ben Whishaw (Michael Banks), Emily Mortimer (Jane Banks), Meryl Streep (Cousin Topsey), Lin-Manuel Miranda (Jack).

  • Missão impossível – Efeito Fallout

    Ethan Hunt está em arriscada missão envolvendo três ogivas de plutônio. Ele aborta os procedimentos quando vê sua equipe em risco e os artefatos caem nas mães de um grupo terrorista que passa a exigir a libertação do megaterrorista Solomon Lane. 

    O sexto filme da série arrecadou cerca de 800 milhões de dólares nas bilheterias, se consagrando como o maior sucesso da franquia. Ação frenética e reviravoltas seguram a trama do início ao fim, com destaque para duas sequências de tirar o fôlego: a perseguição de veículos nas ruas de Paris e a impressionante sequência final do duelo dos helicópteros. Ethan Hunt/Tom Cruise provam que estão em forma e garantem vida longa a Missão impossível.

    Missão impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossibile – Fallout, EUA, 2018), de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise (Ethan Hunt), Henry Cavill (August Walker), Rebecca Ferguson (ilsa Faust), Simon Pegg (Benji Dunn). Ving Rhames (Luther), Sean Harris (Solomon Lane).

  • Dumbo

    A recente onda de adaptações live actions da Disney traz o elefante voador criado digitalmente em interação com elenco de artistas de um circo decadente. A história original foi adaptada com diversas modificações. Os irmãos Milly e Joe são responsáveis pela descoberta e treinamento de Dumbo para atos acrobáticos no circo. O pai dos garotos, Holt Farrier, volta da guerra sem um braço e tenta retomar os tempos áureos no palco como cavaleiro. O vilão Vandevere entra em cena para tentar lucrar com o elefantinho e, claro, o separa da mãe. 

    O melhor do filme é a grande homenagem ao original. Como nos tempos modernos seria impensável Dumbo se embriagar, Tim Burton cria número no circo com bolhas de sabão revivendo os elefantes cor de rosa dançando no espaço. Os olhos deslumbrados de Dumbo acompanham a dança e, ao espectador, resta a vontade de voltar a tempos politicamente incorretos.  

    Dumbo (EUA, 2019), de Tim Burton. Com Colin Farrel (Holt Farrier), Eva Green (Colette), Michael Keaton (Vandevere), Danny De Vito (Max Medici), Nico Parker (Milly), Finley Robbins (Joe).

  • Ilha dos cachorros

    Wes Anderson toca fundo em questões ambientais e políticas, colocando em evidência temas como totalitarismo, corrupção, lixo tóxico, extermínio de etnias. O cenário é o Japão 20 anos no futuro. Para combater surto de febre entre os cachorros, o prefeito da cidade envia todos os cachorros para uma ilha lixão. Nessa espécie de presídio terminal, os cães formam gangues e duelam entre si por alimento. 

    Spot, cão de guarda do jovem Atari (sobrinho do prefeito) chega a ilha e se reúne ao bando de Chief. Pouco depois, Atari também desembarca na ilha em busca de seu adorado cachorro. A animação em stop-motion rendeu a Wes Anderson o Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim. 

    Ilha dos cachorros (EUA, 2018), de Wes Anderson. 

  • O passageiro

    O ex-policial Michael McCauley pega todos os dias o trem para o trabalho como corretor de seguros em Nova York. Como sucede com tantos e tantos empregados, é demitido no final do dia e se vê às voltas com problemas sérios, como pagar a hipoteca da casa. Na volta para casa, no trem, é abordado por uma estranha mulher que faz a ele uma proposta: se Michael descobrir a identidade de certo passageiro, possivelmente terrorista, ganhará grande soma em dinheiro. Michael tem até o final da viagem para solucionar o mistério. 

    Tramas em trens sempre fascinam o espectador e O passageiro guarda semelhanças com Contra o tempo. Nos dois filmes, o relógio é o inimigo dos protagonistas, decisões devem ser tomadas minuto a minuto. A trama de suspense de O passageiro (passo a passo o ex-policial se vê envolvido em intrincada rede de negócios, poder e polícia) traz questão ética premente: em situação de vulnerabilidade pessoal, até onde se pode ir por dinheiro.  

    O passageiro (The commuter, EUA, 2018), de Jaume Collet-Serra. Com Liam Neeson (Michael McCauley), Vera Farmiga (Joanna), Patrick Wilson (Murphy), Sam Neill (Capitão Hawthorne). 

  • Para todos os garotos que amei

    Vez por outra aparece uma comédia romântica com toque original. Lara Jean (Lana Condor) é filha de coreana com americano. A mãe faleceu jovem e deixa o viúvo com as três filhas. Como toda adolescente, Lara Jean tem paixões escondidas e escreve cartas (que nunca envia) para os pretendentes, entre eles o namorado de sua irmã. A irmã caçula acha as cartas escondidas em uma caixa e remete para cada um dos interessados. 

    O encontro dos garotos e da garota após tomarem conhecimento das cartas rende situações engraçadas e provoca descobertas nos relacionamentos. O roteiro de Sofia Alvarez e a direção de Susan Johnson colocam em evidência o adolescente olhar feminino sobre a família, os colegas de escola, os namorados. Lana Condor carrega sua personagem com o deslumbramento e revolta no comportamento típicos da adolescência. Atenção para a hilária cena pós-créditos. 

    Para todos os garotos que amei (To all the boys I’ve loved before, EUA, 2018), de Susan Johnson. Com Lana Condor, Noah Centineo, Jnel Parrish, Anna Cathcart. 

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  • Terra selvagem

    As sequências de abertura determinam a desolação e dor que imperam na trama: adolescente corre sozinha pela planície gelada, texto poético acompanha seus passos, ela cai na neve; corta para coiote observando o rebanho de ovelhas até ser atingido por um tiro mortal.

    As montanhas geladas do Wyoming são cenário para a história. O caçador Cory encontra o corpo de uma adolescente indígena. Ela foi estuprada e morreu correndo descalça na neve, asfixiada pelo frio que invade os pulmões até explodi-los. Jane, agente do FBI, é enviada para investigar.

    O crime traz à tona o passado de Cory e coloca em relevo outros personagens também perdidos nesta paisagem desoladora: os habitante da reserva indígena. Terra sangrenta é escrito e dirigido por Taylor Sheridan, roteirista dos marcantes A qualquer custo e Sicario: terra de ninguém. O silêncio do filme no deserto gelado, pontuado pela trilha melancólica, evidencia a dor dos personagens, principalmente de Cory, que continua lutando na neve. Depois das perdas, resta a Cory a vingança e a Jane fechar os olhos para este mundo deserto e abandonado por todos, inclusive pelo governo.

    Terra selvagem (Wind river, EUA/Canadá/Inglaterra, 2017), de Taylor Sheridan. Com Jeremy Renner (Cory), Elizabeth Olsen (Jane), Graham Greene (Ben).