
A boa fada (The good fairy, EUA, 1935) é resultado do trabalho de dois nomes importantes do cinema americano ainda no início de carreira: roteiro de Preston Sturges e direção de William Wyler. O filme é uma comédia romântica ingênua, bem adequada às produções do sistema de estúdio que já exigiam o respeito ao Código Hays, efetivado em 1934.
Luisa Ginglebusher (Margareth Sullivan) é uma jovem interna de um orfanato. O proprietário de um grande cinema na cidade vai ao orfanato para contratar uma jovem para trabalhar como “lanterninha”. Luisa é a escolhida.
Em seu primeiro dia de trabalho, a jovem se defronta com pequenos incidentes em cadeia. Ao sair do cinema, ela é assediada por um homem e se agarra nos braços de Detlaf (Reginald Owen), um passante, fingindo ser esposa dele. Detlaf a convida para jantar à noite no restaurante do hotel onde trabalha. Luisa aceita e, nessa noite, é assediada por Konrad (Frank Morgan), um milionário sedutor, porém desastrado. Para escapar do assédio, ela inventa novamente ser casada.
O filme, baseado na peça teatral de Ferenc Molnár, assume o estilo de comédia screwball. A sucessão de eventos provoca reviravoltas em sequência, com gags verbais sucedidas de atos nonsense, principalmente quando Detlaf entra em cena para proteger Luísa das investidas amorosas. A virada final acontece quando ela conhece o advogado Max Sporum (Herbert Marshall), um de seus falsos maridos.
Nos bastidores, um enredo extra-filme também passa por uma sucessão de eventos atribulados. William Wyler e Margaret Sullavan viviam às turras, pois Sullavan tentava impor mudanças no roteiro e no estilo de interpretação, condições que o diretor não aceitava. Segundo William Wyler, “ela era uma estrela importante na Universal e eu era um diretor muito novo. Ela tinha um talento natural em ser muito atraente.”
A equipe declarou que eles faziam as pazes a cada noite. O resultado foi o casamento de Wyler e Margaret.
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