Atores provincianos

O Cinema de Inquietação Moral (Kino Niepokoju Moralnego) reuniu, na Polônia, uma geração de jovens cineastas, influenciados pelo mestre Andrzej Wajda. O movimento começou na metade dos anos 70 e contou com a participação direta, e, em alguns casos, como projetos colaborativos, de cineastas do porte de Agnieszka Holland, Krzysztof Kieślowski, Krzysztof Zanussi e o próprio Andrzej Wajda. 

Os filmes combatiam o caos político e social presente na realidade polonesa, consequentemente, enfrentaram forte censura do governo comunista. Com a instauração da Lei Marcial em 1981, filmes foram banidos e cineastas partiram para o exílio, resultando no fim do movimento.  

Atores provincianos (Aktorzy prowincjonalni, Polônia, 1979) é o primeiro longa-metragem de Agnieszka Holland. A narrativa acompanha Krzysztof (Tadeusz Huk), um jovem e idealista ator de teatro, morador de uma pequena cidade do interior da Polônia. Ele participa dos ensaios da peça clássica Libertação, cuja direção está a cargo de um renomado diretor teatral de Varsóvia. 

O grupo de teatro amador entra em conflito, começando um jogo movido a vaidades pessoais e luta por ascensão artística, em detrimento do companheirismo. Krzysztof se rebela contra as atitudes, enxergando no diretor e no produtor da peça meros burocratas da arte estatal. 

O casamento do ator afunda junto com sua crise profissional. Sua esposa Anka (Halina Lobonarska), que também sonhara em ser atriz profissional, trabalha na montagem de espetáculos infantis. Anka acompanha o declínio do marido com uma resignada melancolia, entregando-se à rotina depressiva – assim como a sociedade polonesa (o cinema da inquietação moral). 

A diretora Agnieszka Holland enfrentou seguidos problemas com a censura polonesa. Seus filmes seguintes, Febre (1980) e Uma mulher sozinha (1981), foram praticamente banidos. Após a implantação da Lei Marcial pelo governo Polonês, em 1981, Agnieszka Holland deixou o país, prosseguindo com sua carreira na França e nos Estados Unidos.

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