
Febre (Gorczak, Polônia, 1981), de Agnieszka Holland. Com Barbara Grabowska, Adam Ferency, Bogusław Linda.
Polônia, 1905. O país está sob o domínio do Império Russo e membros da resistência organizam atentados. Kama (Barbara Grabowska), integrante de um grupo socialista, recebe uma bomba artesanal de um professor de química. O objetivo dos socialistas é assassinar o Governador Geral Russo, residente em Varsóvia.
A estrutura narrativa do filme segue a jornada da bomba, que passa de mãos em mãos, um artefato desejado e, ao mesmo tempo, renegado pelos revolucionários. Os episódios retratam o intenso e violento momento político da Polônia, analogia de Agnieszka Holland à Polônia do início dos anos 80, quando foi implantada a Lei Marcial no país com o intuito de refrear a ascensão do Sindicato Solidariedade.
Febre é adaptação do romance de Andrzej Strug, publicado em 1908. O final do filme reforça a potente metáfora da bomba como reflexão para o fracasso, a desilusão e a inutilidade dos movimentos sociais e políticos contra as potências dominantes.
A diretora Agnieszka Holland realizou Febre como parte fundamental do movimento polonês chamado de Cinema da Inquietação Moral. Na sequência, a diretora realizou Uma mulher sozinha (1981), filme censurado pelo regime polonês. Logo depois, ela deixou o país devido à implantação da Lei Marcial.
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