
Simão do deserto (Simón del desierto, México, 1965) faria parte de um filme conjunto entre Luis Bunuel e outros cineastas. No entanto, só o diretor espanhol filmou sua parte, colocando o filme na categoria de curta ou média-metragem, com cerca de 45 minutos de duração.
Simão (Claudio Brook) é um fanático religioso que vive no topo de uma coluna no deserto e é adorado pelos habitantes da região (os representantes legais constroem, inclusive, uma coluna muito mais alta para abrigá-lo). Em alguns de seus intermináveis dias na coluna, Simão é assediado pelo próprio Diabo, interpretado por Silvia Pinal em diversas caracterizações.
A ousadia surrealista de Luis Buñuel confronta os valores religiosos, desnudando a hipocrisia que permeia as atitudes da igreja. Filmado em uma única locação, a coluna e seus arredores áridos, os pontos fortes da película são a relação entre Simão e o Diabo, que assume diferentes formas, entre elas uma jovem mulher que destila erotismo e uma sedutora adolescente.