
O Conselheiro (Counsellor at Law, 1933), de William Wyler.
George Simon (John Barrymore) é um famoso advogado criminalista. A narrativa começa com um dia atribulado de trabalho em seu luxuoso escritório, localizado no Empire State Building. O advogado atende clientes, é assediado por uma cliente que ele acabou de inocentar de um crime, troca ideias de trabalho com seu sócio, recebe a mãe que pede, mais uma vez, ajuda para seu irmão problemático.
O filme é adaptado por Elmer Rice de sua própria peça teatral. A narrativa transcorre quase inteiramente no conjunto de escritórios de George Simon. O ponto de virada acontece quando um caso do passado vem à tona. Para inocentar o filho de um amigo de pegar prisão perpétua por reincidência em roubos, George usou, de forma consciente, o falso testemunho de um amigo do réu, um álibi decisivo para inocentá-lo. Um advogado inimigo de George ameaça levar o caso à ordem dos advogados e à imprensa.
William Wyler era um jovem diretor em ascensão quando teve a oportunidade que impulsionou de vez a sua carreira: dirigir John Barrymore, um dos maiores astros do cinema americano da época. Wyler imprimiu um ritmo ágil, deixando Barrymore à vontade para compor um personagem elétrico, que dispara diálogos em sequência, enquanto transita sem parar pelos interiores de seu escritório.
A personalidade complexa do advogado provoca declarações e gestos intempestivos, revelando questões que marcaram a elite conservadora da época: o antisemitismo; glorificação ao império capitalista – George não esconde sua predileção pelo dinheiro, mesmo à custa de jogadas escusas; o conflito de classes; o uso de artimanhas escusas no sistema jurídico; a disputa ideológica com consequências perigosas. Atenção para o embate verbal e psicológico entre George e um jovem comunista, que será julgado por suas atividades políticas.
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