A boneca do amor

A boneca do amor (The doll, Alemanha, 1919), de Ernst Lubitsch, foi produzido no mesmo ano do clássico O gabinete do Dr. Caligari, de Robert Wiene, que praticamente definiu os preceitos conceituais e estéticos do expressionismo alemão.

Forçado a se casar pelo tio, um rico aristocrata que deseja um herdeiro, o jovem Lancelot foge e se refugia em um mosteiro. Os monges passam a cobiçar o dote de Lancelot e o convencem a procurar um famoso fabricante de bonecas, idênticas às mulheres, e forjar o casamento. 

A história é baseada em texto de E. T. A. Hoffman e pode ser vista como um conto de fadas, a partir do momento em que a filha do fabricante toma o lugar da boneca. Lubitsch constroi a narrativa fortemente influenciado pelo expressionismo: cenários feitos a partir de papelão, linhas distorcidas, interpretação caricatural, com destaque para Ossi Oswalda no papel da boneca.

Segundo o crítico Luiz Santiago, Lubitsch, ainda em sua fase alemã, homenageia de forma metafórica o cinema: “Ernst Lubitsch Faz de A Boneca do Amor (Die Puppe) um exercício que sintetiza a Sétima Arte como ilusão e artefato, envolvendo-nos num universo onírico já influenciado pelo Expressionismo Alemão. Desde os momentos iniciais, quando o cineasta se apresenta e, literalmente, constrói uma maquete cênica diante dos nossos olhos, somos transportados para um mundo que abraça a artificialidade e celebra a criação como o coração da experiência cinematográfica. Essa abertura é uma declaração de intenções artísticas que posiciona o filme como metáfora do próprio cinema, onde tudo é construído para encantar, provocar e envolver.” – Plano Crítico

Elenco: Ossi Oswalda (Ossi), Hermann Thimmig (Lancelot), Victor Janson (Hilário). 

Deixe um comentário