
A mulher infame (Uwasa no onna, Japão, 1954), de Kenji Mizoguchi.
A narrativa se passa em Kyoto, nos anos 50. Hatsuko (Kinuyo Tanaka), uma mulher de meia idade, administra uma casa de gueixas. O conflito acontece quando Yukiko (Yoshiko Kuga), sua jovem filha chega para se recuperar de uma tentativa de suicídio, motivada por uma desilusão amorosa. Yukiko se apaixona pelo namorado da mãe, um ambicioso médico que atende as profissionais da região e é praticamente sustentado por Hatsuko.
Yukiko representa a modernidade no Japão do pós-guerra, pois renega a tradição incorporada nesses estabelecimentos centenários. A jovem se indispõe com a mãe e as gueixas, mas aos poucos começa a entender e se familiarizar com as mulheres, começando uma relação de ajuda mútua.
A mulher infame trata de um tema recorrente na obra de Mizoguchi: as pressões sociais da sociedade patriarcal japonesa que subjuga e explora as mulheres de forma depressiva e degradante. Para Mizoguchi, os bordeis são muito mais do que casas de exploração sexual, são o refúgio dessas mulheres que buscam, através da solidariedade e do carinho entre elas, sobreviver a essa sociedade cruel.