Os amantes crucificados

Os amantes crucificados (Chikamatsu monogatari, Japão, 1954), de Kenji Mizoguchi, narra a história de um amor proibido no Japão do século XVII. Mohei (Kazuo Hasegawa)  é funcionário de uma loja de pergaminhos. Ele se apaixona por Ozan (Kyoko Kagawa), esposa de seu patrão. O romance entre os dois caminha para a tragédia (denunciada pelo título em português), pois combate a rígida sociedade patriarcal japonesa, cujas punições mais severas são impostas, principalmente, às mulheres adúlteras. 

Os longos planos sequências, marca de Mizoguchi, convidam o espectador a acompanhar lentamente o sofrimento dos amantes que se entregam à paixão. Os dois empreendem uma fuga alucinada por lagos e florestas, locais cuja fotografia explendorosa eleva o teor erótico e, ao mesmo tempo, cruel da narrativa. Atenção para a derradeira sequência, o caminhar dos amantes acorrentados para o seu destino.  

A mulher infame

A mulher infame (Uwasa no onna, Japão, 1954), de Kenji Mizoguchi. 

A narrativa se passa em Kyoto, nos anos 50. Hatsuko (Kinuyo Tanaka), uma mulher de meia idade, administra uma casa de gueixas. O conflito acontece quando Yukiko (Yoshiko Kuga), sua jovem filha chega para se recuperar de uma tentativa de suicídio, motivada por uma desilusão amorosa. Yukiko se apaixona pelo namorado da mãe, um ambicioso médico que atende as profissionais da região e é praticamente sustentado por Hatsuko.  

Yukiko representa a modernidade no Japão do pós-guerra, pois renega a tradição incorporada nesses estabelecimentos centenários. A jovem se indispõe com a mãe e as gueixas, mas aos poucos começa a entender e se familiarizar com as mulheres, começando uma relação de ajuda mútua.

A mulher infame trata de um tema recorrente na obra de Mizoguchi: as pressões sociais da sociedade patriarcal japonesa que subjuga e explora as mulheres de forma depressiva e degradante. Para Mizoguchi, os bordeis são muito mais do que casas de exploração sexual, são o refúgio dessas mulheres que buscam, através da solidariedade e do carinho entre elas, sobreviver a essa sociedade cruel.