Categoria: Filme

  • Capitã Marvel

    Anos 90. Carol Danvers, guerreira Kree, participa heroicamente de batalha com os guerreiros de planeta vizinho. Nos sonhos, é assombrada por um possível passado na Terra como piloto de caças. Após a batalha, Carol volta à Terra, encontra o jovem Nick Fury e pessoas do seu passado. A jornada coloca Carol e Nick frente a frente com os Skrulls, alienígenas que podem assumir qualquer aparência. A virada de roteiro define quem são os verdadeiros inimigos da Capitã Marvel e dos habitantes da Terra. 

    A saga épica de Os Vingadores dá o tom da narrativa, com apresentações da origem da personagem até ela vestir a famosa roupa e se transformar na super heroína. O destaque do filme são, claro, as batalhas engrandecidas pelos efeitos digitais e o impressionante rejuvenescimento digital do ator Samuel L. Jackson. 

    Capitã Marvel (EUA, 2019), de Anna Boden e Ryan Fleck. Com Brie Larson (Capitã Marvel), Samuel L. Jackson (Nick Fury)

  • Colette

    Keira Knightley encarna a escritora Colette que revolucionou a literatura erótica no final do século XX a partir da publicação do livro Claudine na escola. No entanto, o livro é assinado pelo marido, Willy, famoso editor da época. Com o sucesso do livro, Willy força Colette a escrever série baseada nas aventuras sexuais de Claudine. O estilo de vida do casal combina com as narrativas, os dois enveredam por jogos sexuais com diversos parceiros. 

    O filme aborda um problema comum nas conservadores sociedades da época: mulheres que abdicam da autoria de obras artísticas para viverem à sombra dos maridos. A libertação de Colette acontece enquanto ela se reconhece nas aventuras amorosas até que se apaixona por uma jovem que assume identidade masculina na aristocrática elite francesa. 

    Colette (Inglaterra, 2018), de Wash Westmoreland. Com Keira Knightley, Dominic West, Eleanor Tomlinson, Denise Gouch.

  • O beijo no asfalto

    O clássico texto de Nelson Rodrigues é conhecido: homem sofre acidente na rua e, pouco antes de morrer, pede um beijo na boca ao homem que tenta socorrê-lo. O pedido é atendido à vista de todos, inclusive um repórter que cobre casos policiais. Com ousadia, o ator Murilo Benício, em seu primeiro trabalho como diretor, transforma a peça em interação entre teatro e cinema, fotografada na bela estética noir, em preto e branco. 

    Reunidos à mesa, no teatro, os atores ensaiam o texto, orientados pelo dramaturgo Amir Haddad. Montagem paralela intercala os diálogos com cenas do filme pronto. Lázaro Ramos, Débora Falabella e Stênio Garcia interpretam o trio de protagonistas. Otávio Muller é o jornalista inescrupuloso que manipula os fatos relacionados ao beijo para vender jornal. O beijo no asfalto é importante e atual em tempos das fake news. 

    O beijo no asfalto (Brasil, 2017), de Murilo Benício. Com Fernanda Montenegro, Débora Falabella, Lázaro Ramos, Stênio Garcia, Otavio Muller, Augusto Madeira.

  • Cartas para um ladrão de livros

    O documentário aborda a trajetória de Laéssio Rodrigues, ladrão de livros raros e gravuras valiosas do acervo de instituições públicas. A compulsão de Laéssio pela prática começa com a paixão por Carmem Miranda – para incrementar sua coleção de imagens, ele rouba fotos, artigos, revistas, tudo relacionado à cantora. Descobre a fragilidade das instituições com os acervos e passa a roubar livros raros, revendendo-os no mercado negro, acumulando dinheiro e bens materiais.

    Os documentaristas partem de cartas trocadas com Laéssio na prisão. Grande parte da narração é feita pelo próprio ladrão de livros, entre os intervalos que sai do cárcere. O tom da narrativa é pessoal: Laércio reflete sobre seus atos, consequências e arrependimentos; as leituras das cartas revelam dúvidas dos diretores sobre o próprio documentário; depoimentos de arquivistas escancaram a revolta com o desaparecimentos de acervos valiosos. 

    Cartas para um ladrão de livros (Brasil, 2018), de Carlos Juliano Barroso e Caio Cavechini.

  • Homem-Aranha no Aranhaverso

    A animação comprova que é possível ser original no clicherizado universo dos filmes de super heróis. A trama reúne seis versões do Homem-Aranha vindos de outras dimensões. O protagonista é Miles, garoto negro que vive em conflito com o pai policial e idolatra o tio grafiteiro. Durante uma incursão aos metrôs com o tio para grafitar, Miles é picado por aranha radioativa. Um portal é aberto e juntam-se a Miles as outras encarnações do Aranha: um Peter Parker barrigudo e desiludido, separado da mulher; a Mulher-Aranha Gwen Stacy, o Homem-Aranha noir, um incrível Porco-Aranha e Peni Parker, Garota-Aranha. 

    Bom humor e reviravoltas dominam a trama. Os aracnídeos combatem o Rei do Crime e devem resolver o problema do portal para que cada um volte à sua dimensão de origem. Além de diversão garantida, a animação toca em questões filosóficas e existenciais envolvendo os personagens da infância à maturidade. 

    Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: into the spider verse, EUA, 2018), de Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothmann.

  • Caminhos ásperos

    A trama narra o encontro entre o pistoleiro Hondo Lane, a fazendeira Angie Lowe e seu filho Johnny. Os três se conhecem na fazenda de Angie, o marido está ausente. É território apache em tempos de trégua, mas a paz está ameaçada pois os índios se preparam para a guerra e a cavalaria americana se posiciona na região. 

    Caminhos ásperos segue a estrutura básica do gênero clássico: pistoleiro solitário chega a uma pequena fazenda, se apaixona pela mulher enquanto a ameaça indígena ronda. A virada acontece quando Hondo encontra o marido de Angie. O chefe apache Vittorio é destaque do filme: suas ações guerreiras são pontuadas por atitudes nobres. No final, uma frase define esses combates, glorificados pelo cinema americano, que massacraram a raça indígena: “É o fim de um modo de vida.”

    Caminhos ásperos (Hondo, EUA, 1953), de John Farrow. Com John Wayne (Hondo Lane) e Geraldine Page (Angie Lowe), Lee Aaker (Johnny), Michael Patte (Vittorio). 

  • Os incríveis 2

    A família Pêra está lutando nas ruas da cidade contra o poderoso Escavador. A destruição é generalizada e no final da batalha os super heróis são proibidos por lei de usar seus poderes e ficam enclausurados em casa. Entra em cena o milionário Winston Deavor e sua irmã Evelyn com uma proposta: Helena Pêra se juntar a ele e seus artefatos tecnológicos em batalha contra o crime. A ideia é resgatar a legião de super heróis. O problema é que, no primeiro momento, Roberto não pode participar das ações. Ele fica em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher se transforma em celebridade, heroína no combate aos criminosos. 

    A animação continua com o tom ácido de crítica ao universo dos super heróis. A novidade é o controle nas mãos de Helena, enquanto Roberto sofre com as agruras do trabalho no lar. O ponto forte acontece quando o bebê Zezé revela também ser dotado de poderes e protagoniza situações hilárias. Ação frenética e bom humor, receita garantida no universo da animação digital.  

    Os incríveis 2 (Incredibles 2, EUA, 2018), de Brad Bird. 

  • Chacrinha: O velho guerreiro

    A história do popular e histriônico Abelardo Barbosa se confunde com a história do rádio e da TV no Brasil. Adaptado do espetáculo Chacrinha, o Musical, também dirigido por Andrucha Waddington e interpretado por Stepan Nercessian, o filme começa com o jovem Abelardo Barbosa em um navio, rumo à Europa. O navio é forçado a aportar no Rio de Janeiro devido a conflitos da Segunda Grande Guerra. 

    Fascinado pela cidade maravilhosa, Abelardo, natural do Recife, decide ficar. Arruma emprego como animador de porta de loja e logo depois em uma rádio, onde assume a alcunha de Chacrinha. O resto é história. Do rádio para a TV, criando o personagem que arrematou multidões com sua irreverência e seus bordões. Hoje, com certeza, Chacrinha seria execrado por suas atitudes politicamente incorretas. Nos tempos áureos da TV ao vivo, era sinônimo de Ibope. 

    Eduardo Sterblitch e Stepan Nercessian brilham na caracterização das fases do velho guerreiro. Os bastidores da TV, da política brasileira nos anos de chumbo da censura, ícones do mundo artístico que passaram pelos palcos do programa; tudo confere ao filme ar nostálgico e enriquecedor de nossa cultura popular. 

    Chacrinha: o velho guerreiro (Brasil, 2018), de Andrucha Waddington. Com Stepan Nercessian, Eduardo Sterblitch, Gianne Albertoni, Laila Garin, Carla Ribas, Rodrigo Pandolfo.

  • O retorno de Mary Poppins

    Emily Blunt is Mary Poppins and Joel Dawson is Georgie in Disney’s MARY POPPINS RETURNS, a sequel to the 1964 MARY POPPINS, which takes audiences on an entirely new adventure with the practically perfect nanny and the Banks family.

    Vinte e cinco anos depois, Mary Poppins retorna à casa dos Irmãos Banks. Michael perdeu a esposa recentemente, luta para cuidar dos três filhos e preservar a casa da família. A irmã Jane tenta ajudá-lo enquanto convive com a solidão. O banqueiro Wilkins, vilão da história, dá prazo de dias para Michael quitar a hipoteca, do contrário perderá a casa. 

    Os musicais têm capítulo à parte na história do cinema americano. O original Mary Poppins está entre os mais queridos desta história. A continuação preserva o charme, o olhar deslumbrado das crianças e dos adultos diante da babá que chega e vai embora voando com a sombrinha, não se sabe de onde, para onde. O espectador que ama musicais vai junto.  

    O retorno de Mary Poppins (Mary Poppins returns, EUA, 2018), de Rob Marshall. Com Emily Blunt (Mary Poppins), Colin Firth (William Wilkins), Ben Whishaw (Michael Banks), Emily Mortimer (Jane Banks), Meryl Streep (Cousin Topsey), Lin-Manuel Miranda (Jack).

  • Missão impossível – Efeito Fallout

    Ethan Hunt está em arriscada missão envolvendo três ogivas de plutônio. Ele aborta os procedimentos quando vê sua equipe em risco e os artefatos caem nas mães de um grupo terrorista que passa a exigir a libertação do megaterrorista Solomon Lane. 

    O sexto filme da série arrecadou cerca de 800 milhões de dólares nas bilheterias, se consagrando como o maior sucesso da franquia. Ação frenética e reviravoltas seguram a trama do início ao fim, com destaque para duas sequências de tirar o fôlego: a perseguição de veículos nas ruas de Paris e a impressionante sequência final do duelo dos helicópteros. Ethan Hunt/Tom Cruise provam que estão em forma e garantem vida longa a Missão impossível.

    Missão impossível – Efeito Fallout (Mission: Impossibile – Fallout, EUA, 2018), de Christopher McQuarrie. Com Tom Cruise (Ethan Hunt), Henry Cavill (August Walker), Rebecca Ferguson (ilsa Faust), Simon Pegg (Benji Dunn). Ving Rhames (Luther), Sean Harris (Solomon Lane).

  • Dumbo

    A recente onda de adaptações live actions da Disney traz o elefante voador criado digitalmente em interação com elenco de artistas de um circo decadente. A história original foi adaptada com diversas modificações. Os irmãos Milly e Joe são responsáveis pela descoberta e treinamento de Dumbo para atos acrobáticos no circo. O pai dos garotos, Holt Farrier, volta da guerra sem um braço e tenta retomar os tempos áureos no palco como cavaleiro. O vilão Vandevere entra em cena para tentar lucrar com o elefantinho e, claro, o separa da mãe. 

    O melhor do filme é a grande homenagem ao original. Como nos tempos modernos seria impensável Dumbo se embriagar, Tim Burton cria número no circo com bolhas de sabão revivendo os elefantes cor de rosa dançando no espaço. Os olhos deslumbrados de Dumbo acompanham a dança e, ao espectador, resta a vontade de voltar a tempos politicamente incorretos.  

    Dumbo (EUA, 2019), de Tim Burton. Com Colin Farrel (Holt Farrier), Eva Green (Colette), Michael Keaton (Vandevere), Danny De Vito (Max Medici), Nico Parker (Milly), Finley Robbins (Joe).

  • A senhora da van

    No começo do filme, Miss Shepherd está dirigindo van pela estrada e bate em algo. Sangue no vidro trincado sugere atropelamento. A motorista foge e é perseguida por um policial. Corta para muitos anos depois, Miss Shepherd é uma velha moradora das ruas de Londres, dorme em sua van estacionada em bairro de classe média. O vidro trincado lembra do passado. 

    A narrativa é contada pelo ponto de vista de Alan Bennett, escritor que se vê envolvido pela senhora da van: ela mora em frente a sua casa, com o tempo, estaciona dentro da garagem. Bennet conta a história interagindo com seu duplo escritor, interessante analogia do olhar do homem comum e do olhar do artista que vê o mundo com criatividade e imaginação. 

    O filme é baseado em fatos reais. O dramaturgo Alan Bennett conviveu com Miss Shepherd durante 15 anos no bairro londrino de Camden Town. A história virou peça teatral de sucesso e foi adaptada para o cinema pelo próprio autor. 

    A senhora da van (The lady of the van, Inglaterra, 2015 ), de Nicholas Hytner. Com Maggie Smith (Miss Shepherd), Alex Jennings (Alan Bennett), Deborah Findlay (Pauline

  • O banquete

    A diretora Daniela Thomas buscou inspiração em fatos do início da década de 90 para reunir elenco de peso em torno da mesa de jantar. A primeira inspiração vem de memórias de jantares oferecidos em sua casa; a segunda, da carta escrita pelo jornalista Otávio Frias Filho ao presidente Collor.

    O banquete começa com Nora inspecionando a mesa preparada para receber convidados do universo do teatro e da imprensa. Ela chora diante da mesa, evidenciando o tom de depressão que vai ditar a narrativa. Os convidados são Mauro, famoso diretor de teatro que escreveu uma carta ao presidente Collor e corre risco de ser preso; sua mulher Bia, atriz de sucesso; dois jornalistas culturais; o marido de Nora, advogado; a estranha mulher-gato e Claudinha, espécie de dama de companhia de Bia. O jovem chef Ted assiste a tudo com fascinação. 

    A estrutura teatral da narrativa abre possibilidades para o elenco despejar diálogos sobre cultura, sexo, política e dramas pessoais. O ponto forte do filme é o embate final entre Nora e Bia, entre Drica Moraes e Mariana Lima, duas grandes personagens nas mãos de duas grandes atrizes.  

    O banquete (Brasil, 2018), de Daniela Thomas. Com Drica Moraes (Nora), Mariana Lima (Bia Moraes), Caco Ciocler (Plínio), Rodrigo Bolzan (Mauro), Fabiana Gugli (Maria), Gustavo Machado (Lucy), Chay Suede (Ted), Bruna Linzmeyer (Catwoman), Georgette Fadel (Claudinha). 

  • A vida extra-ordinária de Tarso de Castro 

    O documentário me remeteu aos tempos românticos do jornalismo, uma de minhas formações. Os diretores Leo Garcia e Zeca Brito tentam traçar um perfil (se é que é possível) da vida e carreira do jornalista Tarso de Castro, um dos criadores do Pasquim e outros importantes títulos do jornalismo brasileiro, como Folhetim. As histórias giram em torno da rebeldia do jornalista; trechos documentais mostram como Tarso lutava no meio jornalístico, não se rendendo a imposições dos donos dos jornais e nem do sistema político (na época, a ditadura militar). O lado romântico fica por conta do comportamento destes rebeldes no exercício da profissão. “A redação não era extensão do bar, o bar era a redação” – declara um dos entrevistados. Documentário imperdível em um momento de questionamentos sobre a prática jornalística nos grandes meios de comunicação.

    A vida extra-ordinária de Tarso de Castro (Brasil, 2016), de Leo Garcia e Zeca Brito

  • A moça do calendário

    Helena Ignez participou ativamente como atriz dos grupos que construíram o Cinema Novo e o Cinema Marginal. Foi casada com Glauber Rocha e Rogério Sganzerla. Em sua recente produção como diretora, Helena Ignez traz resquícios destes movimentos que formaram gerações de cineastas e cinéfilos. 

    Inácio trabalha como mecânico, lê Freud, transita pela noite com o olhar sonhador de quem almeja mundos melhores. Em momentos de ócio na oficina na qual trabalha, tem devaneios com a moça do calendário que invade sua imaginação com erotismo e rebeldia, como se o chamasse a sair pelo mundo. 

    A moça do calendário é Lara, militante de esquerda que luta pela reforma agrária e transita pelo MST. Em algum momento os dois podem se encontrar, enquanto isso, desfilam pelo olhar dos personagens a noite marginal paulistana, os segregados, os explorados pelo capitalismo. Belas imagens, texto contundente, crítica social, irreverência dos personagens – a autora Helena Ignez tem um quê de marginal em seu cinema. 

    A moça do calendário (Brasil, 2017), de Helena Ignez. Com André Guerreiro Lopes (Inácio), Djin Sganzerla.

  • A livraria

    Cidade litorânea da Inglaterra, final da década de 50. A recém viúva Florence Green chega à cidade, se encanta e acalenta sonho que luta para realizar: abrir uma livraria na velha casa que alugou. A empreitada encontra resistência em Violet Gamart, representante da conservadora sociedade local. 

    A livraria é dos filmes que coloca cena a cena o amor pela literatura. Florence troca correspondências sobre livros com o recluso Edmund Brundish e passa a enviar para ele edições novas. A pequena Christine acompanha tudo com o olhar infantil, ajudando Florence na livraria. O final, triste mas esperançoso, revela como os livros podem modificar a vida das pessoas.  

    A livraria (The bookshop, Inglaterra, 2018), de Isabel Coixet. Com Emily Mortmer (Florence Green), Bill Nighy (Edmund Brundish), Patricia Clarkson (Violet Gamart).

  • Ilha dos cachorros

    Wes Anderson toca fundo em questões ambientais e políticas, colocando em evidência temas como totalitarismo, corrupção, lixo tóxico, extermínio de etnias. O cenário é o Japão 20 anos no futuro. Para combater surto de febre entre os cachorros, o prefeito da cidade envia todos os cachorros para uma ilha lixão. Nessa espécie de presídio terminal, os cães formam gangues e duelam entre si por alimento. 

    Spot, cão de guarda do jovem Atari (sobrinho do prefeito) chega a ilha e se reúne ao bando de Chief. Pouco depois, Atari também desembarca na ilha em busca de seu adorado cachorro. A animação em stop-motion rendeu a Wes Anderson o Urso de Prata de melhor diretor no Festival de Berlim. 

    Ilha dos cachorros (EUA, 2018), de Wes Anderson. 

  • Cinemagia: a história das videolocadoras de São Paulo

    O documentário é saudosa viagem ao início e apogeu das principais videolocadoras de São Paulo. O diretor Alan Oliveira registrou depoimentos dos personagens que construíram pequenos impérios do entretenimento: fundadores da Vídeo Norte, 2001 Vídeo, Real, Hobby, entre outros pioneiros. Críticos, jornalistas e frequentadores depõem sobre a magia de entrar em uma loja e ficar tempo indefinido entre as prateleiras de filmes. Tom comum entre as declarações é a possibilidade que as videolocadores proporcionaram de construir relações entre os cinéfilos, alguns pioneiros foram profundos conhecedores da sétima arte que colocaram paixão no ato de alugar filmes, outros, iniciantes que começaram nos corredores o caminho mágico pelo mundo dos filmes. 

    É história comum: todo grande ou pequeno império um dia desaba. As videolocadoras foram sugadas, primeiro pelas megastores, como a Blockbuster, depois pela irrefreável ascensão do streaming. Sobrevivem na memória de pessoas que participaram como criadores ou como espectadores das antológicas prateleiras de videocassetes, depois DVDs, onde os filmes esperavam os apaixonados pelo cinema.  

    Cinemagia: a história das videolocadoras de São Paulo (Brasil, 2017), de Alan Oliveira. 

  • O passageiro

    O ex-policial Michael McCauley pega todos os dias o trem para o trabalho como corretor de seguros em Nova York. Como sucede com tantos e tantos empregados, é demitido no final do dia e se vê às voltas com problemas sérios, como pagar a hipoteca da casa. Na volta para casa, no trem, é abordado por uma estranha mulher que faz a ele uma proposta: se Michael descobrir a identidade de certo passageiro, possivelmente terrorista, ganhará grande soma em dinheiro. Michael tem até o final da viagem para solucionar o mistério. 

    Tramas em trens sempre fascinam o espectador e O passageiro guarda semelhanças com Contra o tempo. Nos dois filmes, o relógio é o inimigo dos protagonistas, decisões devem ser tomadas minuto a minuto. A trama de suspense de O passageiro (passo a passo o ex-policial se vê envolvido em intrincada rede de negócios, poder e polícia) traz questão ética premente: em situação de vulnerabilidade pessoal, até onde se pode ir por dinheiro.  

    O passageiro (The commuter, EUA, 2018), de Jaume Collet-Serra. Com Liam Neeson (Michael McCauley), Vera Farmiga (Joanna), Patrick Wilson (Murphy), Sam Neill (Capitão Hawthorne). 

  • Para todos os garotos que amei

    Vez por outra aparece uma comédia romântica com toque original. Lara Jean (Lana Condor) é filha de coreana com americano. A mãe faleceu jovem e deixa o viúvo com as três filhas. Como toda adolescente, Lara Jean tem paixões escondidas e escreve cartas (que nunca envia) para os pretendentes, entre eles o namorado de sua irmã. A irmã caçula acha as cartas escondidas em uma caixa e remete para cada um dos interessados. 

    O encontro dos garotos e da garota após tomarem conhecimento das cartas rende situações engraçadas e provoca descobertas nos relacionamentos. O roteiro de Sofia Alvarez e a direção de Susan Johnson colocam em evidência o adolescente olhar feminino sobre a família, os colegas de escola, os namorados. Lana Condor carrega sua personagem com o deslumbramento e revolta no comportamento típicos da adolescência. Atenção para a hilária cena pós-créditos. 

    Para todos os garotos que amei (To all the boys I’ve loved before, EUA, 2018), de Susan Johnson. Com Lana Condor, Noah Centineo, Jnel Parrish, Anna Cathcart. 

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