A besta

A besta (La bête, França, 2023), de Bertrand Bonello, é adaptação do conto A fera na selva, de Henry James, publicado em 1903. Em um futuro distópico as pessoas passam por um procedimento que as livram de suas emoções. Gabrielle (Léa Seydoux) faz entrevistas para se submeter ao procedimento. Narrativa paralela apresenta Gabrielle, musicista famosa, em uma festa aristocrática, onde se reencontra com um amigo, Louis (George MacKay). Uma terceira narrativa coloca Gabrielle cuidando de uma mansão enquanto o dono está viajando. Louis agora é um videomaker que grava a si mesmo, revelando suas frustrações por, aos 30 anos, ainda ser virgem e nunca ter beijado uma mulher. 

Saltos temporais alternam as narrativas que podem ser vistas como as três vidas de Gabrielle, sempre marcadas pelos encontros com Louis e por uma ameaça: Gabrielle vive aterrorizada por uma besta, pois pensa que algo trágico acontecerá com ela. O diretor Bertrand Bonello busca influências em cineastas contemporâneos como Michel Gondry (Brilho eterno de uma mente sem lembranças) e David Lynch (Cidade dos sonhos) para seu filme, cuja estrutura se apoia em fragmentos de memórias. No futuro, um fato que não se desenvolve na narrativa, é citado: mais de 60% das pessoas estão desempregadas, pois a inteligência artificial dominou o mercado de trabalho. Isso sim é assustador. 

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