O livro do assassino

Não sou leitor assíduo de livros policiais. Comprei, há muitos anos, coleção da Agatha Christie e os livros ficaram empoeirados nas estantes. Até que minha filha descobriu o gênero e leu um por um. De Agatha Christie ela passou a Arthur Connan Coyle, entusiasmada com Sherlock Holmes. Acabou como leitora voraz de romances policiais, uma vez por semana aparece com livro novo, incluindo exemplares da Coleção Negra, livros sedutores, belas encadernações de variados autores do gênero.

O livro do assassino, de Jonathan Kellerman, cumpre com precisão as promessas de uma envolvente narrativa policial. O psicólogo Alex Delaware recebe pelo correio álbum repleto de fotos de cenas de crimes, destas que fazem parte dos arquivos policiais, tiradas logo após os assassinatos. Delaware mostra as fotos para um amigo policial, Milo Sturgis. Ao ver as fotos de uma jovem estuprada e assassinada, o policial se recorda do caso: Jane Ingalls, 17 anos, violentada, estrangulada, queimada e retalhada. Um caso de 20 anos atrás não resolvido por Milo Sturgis e seu parceiro.

O livro fora enviado de propósito, como motivação para Milo reabrir, por conta própria, as investigações. Boa parte das 524 páginas de O livro do assassino transcorre com a dupla investigando o passado das pessoas possivelmente envolvidas no crime. O ângulo principal da narrativa acontece pelos olhos do psicólogo que narra em primeira pessoa o rumo das investigações. Em outros momentos, a terceira pessoa assume a narração para seguir os passos de Milo Sturgis. Este interessante recurso aumenta o suspense, pois provoca no espectador a sensação de montagem paralela, como no cinema.

A técnica é importante também para sugestionar como a homossexualidade do detetive Milo Sturgis poderia ter interferido nas primeiras investigações do assassinato, revelando o preconceito agressivo dentro da polícia de Los Angeles. As revelações caminham para questões comuns no gênero policial: corrupção na polícia, atos criminosos motivados por drogas, o mundo sem limites dos jovens endinheirados na meca do cinema, prostituição e abuso sexual de menores.

A princípio, o leitor fica confuso pois personagens aparecem e desaparecem durante as investigações. Aos poucos, porém, as peças vão se juntando e, se você tiver memória acostumada a este tipo de narrativa, percebe que as conexões são bem maiores do que se imaginava para um crime sexual. Por isso, o clímax não é tão revelador, vale mais pela ação desencadeada nos últimos momentos.

Aí sim, este leitor desacostumado pode ser fisgado pelo gênero que já proporcionou obras primas para o cinema e se tornar frequentador da biblioteca da filha.

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