Uma vida amarga

Uma vida amarga (The bitter ash, Canadá, 1963), de Larry Kent.

Des (Alan Scarfe) é um jovem amargurado que se sente sem perspectivas em seu trabalho monótono e no relacionamento com a namorada, possivelmente grávida. Ao visitar um amigo com leucemia, ele conhece Laurie (Lynn Stewart), jovem também ressentida com sua vida: tem um filho e trabalha como garçonete para sustentar Collie (Philip Brown), seu marido, que sonha em ser dramaturgo. 

São vidas amargas: Des se volta contra a sociedade, despeja sua ira nas pessoas próximas. Laurie revela em um diálogo tenso sua tentativa de suicídio. Collie parece alheio a tudo, preocupado apenas com sua carreira fracassada no teatro. 

O filme levantou polêmicas na época do lançamento devido ao seu conteúdo abertamente sexual, com diálogos explícitos na busca pelo prazer. A longa sequência da festa na casa de Laurie coloca um grupo de jovens “beatniks”, vivendo uma noite regada a álcool, drogas e sexo. A agressiva cena de sexo entre Des e Laurie é um marco desse cinema radical dos anos 60 – Uma vida amarga não foi exibido nos cinemas, mas fez um sucesso estrondoso entre a juventude, que assistia ao filme nas universidades.  

Atenção para a cena da mãe de Laurie, também frustrada com o casamento, bebendo e observando um jovem de short lavando o carro em frente a sua casa. Com um sorriso sarcástico, sua voz interior revela o desejo de fazer sexo com aquele homem. 

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