As pequenas margaridas

As pequenas margaridas (República Tcheca, 1966), de Vera Chytilová. Com Ivana Karbanová e Jitka Cerhová

O filme começa com plano fechado em duas jovens, cujos nomes verdadeiros não serão revelados ao longo da trama (ambas são Marie) tomando sol de biquínis. Elas conversam sobre trivialidades e, em determinado momento, dizem a frase que será o cerne da narrativa: “Se o mundo está tão mal, então seremos más também.”

A partir daí, as duas começam uma série de brincadeiras atrevidas, provocando as pessoas em restaurantes, bares e demais ambientes; brincadeira de mau gosto que envolvem uma comilança sem fim. Elas conquistam homens mais velhos dispostos a pagar a conta dos lugares, se empanturram e os dispensam. 

Claro, o filme teve diversos problemas com a censura comunista da antiga Tchecoslováquia. As protagonistas representam a anarquia pura de uma proposta de libertação feminina em um mundo dominado pelos autoritários homens do poder. 

“Um dos exemplares mais delicosamente piscodélicos e cheios de estilo dos anos 60, As pequenas margaridas, de Vera Chytilová, é uma farsa feminista amalucada e agressiva, que explode em diversas direções. Embora muitos cineastas americanos e europeus se orgulhassem, na época, de sua vocação para a subversão, é possível que o filme mais radical da década – tanto formal quanto ideologicamente – seja proveniente do Leste europeu, do caldeirão que fervia com a preparação para as reformas políticas de 1968: a Primavera de Praga, de tão curta duração.”

Referência: 1001 filmes para ver antes de morrer. Steven Jay Schneider. Rio de Janeiro: Sextante, 2008.

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