Comprometida

Comprometida (Committed, EUA, 1984), de Sheila McLaughlin e Lynne Tillman, reconstitui, de forma íntima e sufocante, a trágica história de Frances Farmer, atriz de teatro e cinema. Ainda jovem, Frances Farmer se destacou no teatro de Nova York e passou a conciliar seu trabalho nos palcos com incursões pelo cinema hollywoodiano. No entanto, as atividades políticas de Farmer, ligadas ao partido comunista e engajada em causas sociais e trabalhistas, tiveram consequências: a própria mãe a internou em um hospital psiquiátrico, onde Farmer permaneceu por seis anos e passou por experimentos médicos, incluindo uma possível lobotomia cerebral.

O filme de Sheila McLaughlin e Lynne Tillman acompanha os momentos anteriores a esses procedimentos. No hospital, Farmer é retratada como uma mulher lúcida, comprometida com suas atividades políticas e com sua carreira profissional.  Flashbacks abrem espaço para o problemático relacionamento de mãe e filha, que culminou na internação. 

Comprometida é um forte manifesto contra a opressão pelas instâncias de poder, dominadas pelos homens. Francis Farmer demonstra claramente sua sanidade e lucidez, mesmo assim os médicos insistem em tratamentos ortodoxos, testando medicamentos e procedimentos para curar a “rebeldia” da atriz. Sob o pretexto de lutar contra o comunismo, políticos, médicos, produtores de cinema, representantes religiosos, interromperam carreiras, condenaram cidadãos e ceifaram vidas.   

Elenco: Sheila McLaughlin (Frances Farmer), Victoria Boothby (Lillian Farmer), Lee Breuer (Clifford Odets), John Erdman (Dr. Taylor), Lucy Sanger (A enfermeira).

Inside out

Inside out (EUA, 1978), de Sheila McLaughlin, é um dos experimentos mais radicais do cinema independente americano que ganhou força a partir dos anos 60. O curta-metragem não-narrativo se divide em três partes. 

Na primeira, o close de uma jovem, em câmera fixa, passa por mutações estéticas demarcadas pela forte granulação da película. A segunda parte enquadra crianças desfocadas em um pátio em repetidos gestos durante uma brincadeira, também com forte expressividade pictórica, imagens quase indistinguíveis que passam por metamorfoses. Na última parte, a técnica de frisar a mesma imagem predomina: duas jovens estão em posição de iniciar possivelmente uma corrida, mas voltam sempre ao mesmo ponto, enquanto as cores em preto e branco se transformam em experimentos artísticos. 

A diretora Sheila McLaughlin trabalha com a relação livre entre cinema, fotografia e artes plásticas, se apropriando das vanguardas estéticas para compor um painel intrincado e fascinante. O curta é representativo do movimento underground de Nova York – a desconstrução da identidade feminina é marcante não só na estética, mas também na montagem fragmentada.