Tag: Michelangelo Antonioni

  • Amores na cidade

    A ideia partiu de Cesare Zavattini, grande roteirista do neorrealismo italiano: seis importantes diretores foram convidados a contar uma história relacionada a relacionamentos amorosos, passadas em Roma, seguindo o estilo do movimento. As tramas de Amores na cidade (L’amore in città, Itália, 1953) exploram temas diversos, por vezes trágicos, como a prostituição nas ruas da cidade (Antonioni), mulheres que recorreram à tentativa de suicídio devido a desiluções amorosas (Cesare Zavattini); os desafios de uma mãe solteira na conservadora sociedade italiana (Francesco Maselli). 

    Fellini recorre ao bom humor para contar uma triste história, centrada em um jornalista que faz uma reportagem investigativa em uma agência de casamentos. Dino Risi dirige o episódio mais leve e bem humorado: em um salão de baile, jovens tentam encontrar parceiros e parceiras, um retrato vibrante da noite romana que geralmente termina em desilusões. Alberto Lattuada segue um estilo documental, recheado de situações bem-humoradas ao mostrar uma sucessão de tentativas de homens de abordar belas mulheres nas ruas de Roma. 

    Amores na cidade (L’amore in città, Itália, 1953), de MIchelangelo Antonioni, Federico Fellini, Alberto Lattuada, Dino Risi, Cesare Zavattini,  Francesco Maselli.

  • A noite

    O angustiante filme de Antonioni acompanha um dia e uma noite na vida do escritor Giovanni e sua esposa Lídia. O ponto de partida é a visita do casal ao hospital, onde o amigo Tommaso está internado – ele sofre com uma doença terminal. 

    A crise do relacionamento do casal se evidencia ao correr das horas, pontuada por uma sucessão de encontros casuais: a ninfomaníaca que seduz Giovanni no hospital; o longo passeio de táxi de Lídia pela periferia da cidade; o editor de Giovanni que anuncia também uma crise profissional; por fim, a festa em uma mansão à noite, frequentada pelos fúteis membros da alta sociedade. 

    O encontra final que desencadeia a frustração dos protagonistas é o pretenso relacionamento entre Giovanni e Valentina, a jovem filha do anfitrião da festa. Destaque para as atuações perturbadoras de Jeanne Moreau e Marcello Mastroianni e para a arrebatadora entrada em cena de Monica Vitti.  

    A noite (1961) faz parte da trilogia de Antonioni sobre a alienação, o tédio que domina a vida dos integrantes da alta sociedade. Os outros filmes são A aventura (1960) e O eclipse (1962). 

    A noite (La notte, Itália, 1961), de Michelangelo Antonioni. Com Marcello Mastroianni (Giovanni), Jeanne Moreau (Lídia), Monica Vitti (Valentina), Bernhard Wicki (Tommaso Garani).