Ankur

Surya é um jovem rico e idealista que se diverte com os amigos nas ruas da cidade. Ele quer estudar artes, mas é confrontado pelo pai, que não admite esta escolha e o envia para tomar conta das propriedades rurais da família no interior da Índia. Surya, seguindo as tradições indianas, já está casado com uma jovem de sua casta, mas, durante a estada na fazenda, seduz e possui a jovem Laxmi, empregada da casa. 

A transformação de Surya é aterradora, passo a passo se revela um jovem intransigente e cruel com os empregados e com a própria família. A sequência final, entre açoites, desespero e olhares passivos, demonstra como tradições seculares foram criadas para preservar o domínio de uma classe abastada, cruel, às vezes sanguinária. 

Ankur (Índia, 1974), de Shyam Benegal. Com Shabana Azmi (Laxmi), Anant Nag (Surya), Mirza Qadirali Bai (Pai de Surya). 

O covarde

O carro do roteirista Amitabh Roy estraga em uma pequena cidade do interior da Índia. Sem condições de seguir viagem, Bimal Gupta, um rico plantador de chá da região, oferece hospedagem a Roy. Quando chegam em casa, já à noite, Roy se surpreende ao encontrar Karuma, esposa de Bimal, sua paixão dos tempos da faculdade.

O diretor indiano Satyajit Ray tece uma narrativa marcada pelo silêncio entre os apaixonados, que relembram sua paixão através de olhares, gestos, tentativas de diálogos que não se realizam. Flashbacks reconstituem o relacionamento e o motivo da separação, motivada pelo receio – expresso no título do filme – de Roy em assumir um relacionamento mais sério. A narrativa curta, com apenas três personagens em cena, expressa um dos belos versos da música brasileira: “é desconcertante rever o grande amor.”  – Chico Buarque e Tom Jobim. 

O covarde (Kapurush, Índia, 1965), de Satyajit Ray. Com Soumitra Chatterjee (Amitabha Roy), Madhabi Mukherjee (Karuna Gupta), Haradhan Banerjee (Bimal Gupta).