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  • O crepúsculo

    O crepúsculo (Szurkulet, Hungria, 1990), de Gyorgy Fehér, contou com consultoria do Béla Tarr. Assim como o mestre húngaro, Fehér trabalha com planos longos, câmera parada em rostos e paisagens durante um tempo quase impossível de acompanhar – mas belo e denso, a fotografia primorosa em preto e branco destacando as paisagen gélidas, por vezes, em travellings e panorâmicas lentas e duradouras.

    O crepúsculo é adaptado do romance policial A promessa, de Friedrich Durrenmatt. O detetive Felugyelo (Péter Haumann) é chamado a uma pequena província da Hungria para ajudar na investigação do assassinato de uma criança. O caso se estende, o detetive, que morou na província, é afastado mas continua a investigação por conta própria, até que resolve envolver outra criança, na esperança de que ela seduza o assassino. 

    O diretor Gyorgy Fehér evita transformar a narrativa em um thriller policial, um jogo de caça a um possível serial killer. À medida que o tempo transcorre, o detetive se defronta com um lugarejo envolto em névoas sombrias, os moradores atormentados por complexos e insolúveis traumas psicológicos. O próprio detetive se confronta com as trevas que o dominam naquela paisagem gélida, intensificada pelos longos planos sequências, pelo silêncio, pela assustadora presença da morte.