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  • Um coração no inverno

    Um coração no inverno (Un coeur en hiver, França, 1992), de Claude Sautet. 

    Stéphane (Daniel Auteuil) trabalha na oficina de violino de seu amigo Maxime (André Dussollier). Stéphane é totalmente dedicado ao trabalho, inclusive, mora em um quarto na oficina. Seu talento na área é reconhecido internacionalmente, cabe à Maxime cuidar dos negócios.

    A amizade entre os dois, ou falsa amizade, é abalada quando Maxime anuncia que vai se casar com Camille (Emmanuelle Béart), jovem e talentosa violinista. Camille e Stéphane começam uma relação de trabalho que evolui para atração física, intelectual e, finalmente, paixão. 

    O diretor Claude Sautet era apaixonado por música, o que se reflete na sensibilidade poética do filme. O triângulo amoroso se desenrola a partir do fascínio, admiração e amor que os três nutrem pela música. Camille fica ainda mais bela aos olhos dos dois amigos quando se entrega ao violino. É também a música que provoca o desfecho. O enigmático e soturno Stéphane revela, aos poucos, que sente amor por duas coisas apenas: a música e por seu amigo e mentor Lachaume (Maurice Garrel).

    As cenas mais sensíveis, belas e poéticas do filme acontecem quando a música toma conta do ambiente, seja em saraus, em concertos, ou nos estúdios de gravação. Impossível não se enlevar nesses momentos de completa ausência de palavras, os olhos expressando todos os tipos de sentimentos. Atenção para a triste e sensível cena de Stéphane cumprindo o último desejo de Lachaume.  

    Elenco: Daniel Auteuil (Stéphane), Emmanuele Béart (Camille), André Dussollier (Maxime), Elizabeth Bourgine (Helène), Brigitte Catillon (Régine), Maurice Garrel (Lachaume).

  • Como fera encurralada

    Prepare-se para uma das cenas mais tristes do cinema noir, quando Abel Davos, sua esposa e filhos, e o comparsa Raymond Naldi desembarcam, à noite, em uma praia da Espanha. 

    A primeira parte do filme é um road-movie acelerado. Abel e Raymond roubam dois guardas na saída de um banco, na Itália. A fuga acontece pelas estradas italianas, de carro e moto, depois de ônibus, por fim de barco. O destino é Paris. A virada de roteiro na praia provoca um rumo inesperado, principalmente para Abel.

    Na segunda parte, Abel se defronta com seus antigos amigos em Paris, em uma jornada de vingança. Como fera encurralada tem uma das mais extensas e variadas galerias de personagens noir. Abel, pivô da trama, é movido a amizade e lealdade aos amigos, apesar de seu caráter cruel (atenção para um assassinato a sangue frio). O jovem Erik Stark é romântico e delicado com as crianças, mal parece um bandido. O grupo de Paris tenta se desprender do passado, oscilando entre a lealdade e a traição. 

    O ator Lino Ventura, que ficou marcado pelos seus papéis de gangsters, traz a amargura e a tristeza estampada no rosto. Seu resignado gesto final traz a carga simbólica daqueles que não esperam a redenção através da punição, apenas se entregam ao destino. Um elegante, belo e triste filme noir

    Como fera encurralada (Classe tous risques, França, 1960), de Claude Sautet. Com Lino Ventura (Abel Davos), Sandra Milo (Liliane), Jean-Paul Belmondo (Erik Stark), Michel Ardan (Riton), Simone France (Thérèse Davos), Stan Krol (Raymond Naldi),