Judy – Muito além do arco-íris

o final do filme, Judy Garland está diante da plateia em Londres. O ano é 1969, sua saúde está fragilizada pelo uso excessivo de remédios e álcool durante grande parte de sua vida, incluindo a infância, quando debutou nas telas da MGM. Ela senta-se na beirada do palco e anuncia: “A próxima música não é sobre chegar a algum lugar. Ela é sobre a caminhada em direção a algum lugar com que você sonhou. E talvez essa caminhada seja a sua vida inteira. E ela precisa ser suficiente. É uma música sobre esperança. E todos nós precisamos disso.” A música, claro, é Over the rainbow.

Judy: muito além do arco-íris se concentra nos meses em que a cantora se apresentou em Londres, pouco antes de morrer. Sem casa para morar, é despejada inclusive de quartos de hotel por falta de pagamento. Ela perde a guarda de seus dois filhos pequenos para o ex-marido e aceita fazer a turnê musical por Londres para tentar se recuperar financeiramente.

A narrativa alterna entre os problemas de Judy em Londres, suas apresentações oscilam entre o sucesso e o completo fiasco em algumas noites, quando se apresenta alcoolizada e agressiva, e seu passado como atriz. São esses flashbacks que trazem à tona a crueldade do sistema de estúdios, cujos produtores exploraram o talento infantil de Judy à custa da saúde da atriz, impondo à ela jornadas excessivas de trabalho, impedindo que exercesse atividades inerentes à infância/adolescência, como ir à escola, sair com amigos, ter relacionamentos não-autorizados pelo estúdio.

Assim como outras importantes componentes do star-system da era de ouro de Hollywood, Judy Garland pagou caro por estar sob controle de homens cuja crueldade parecia não ter limites, tudo em função do negócio chamado cinema. Cada aparição de Louis B. Mayer, todo poderoso da MGM, revela que por trás das telas o mundo mágico de Hollywood era construído através de atitudes desumanas, que destruíam as estrelas que povoavam o imaginário dos espectadores. 

Judy: muito além do arco-íris (Judy, EUA, 2019), de Robert Gould. Com Renée Zellweger (Judy Garland), Jessie Buckley (Rosalyn Wilder), Finn Wittrock (Mickey Deane), Rufus Swell (Sid Luft), Michael Gambon (Bernard Delfont).

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