Fragmentos sobre Alfred Hitchcock

Passo parte de meu tempo pesquisando sobre cinema para projetos pessoais e profissionais. É um exercício interessante, folhear livros há muito lidos. Deparo-me com uma ou outra marcação, trechos, capítulos. Destaco duas análises que encontrei nesta pesquisa recente. As análises abordam o mesmo tema, o jeito como Hitchcock trabalhava com o olhar do espectador.

“O cineasta Alfred Hitchcock desenvolvia suas tramas através do direcionamento do olhar do espectador. Direcionamento que é próprio do cinema e permite o acompanhamento da história, exercitando o imaginário do espectador para a ‘construção’ da narrativa proposta. E, para isso, é necessário saber ordenar as informações da trama. Hitchcock não era propriamente um roteirista, mas acompanhava de perto a confecção dos roteiros de seus filmes, atento em como a história seria transmitida através dos recursos cinematográficos, preocupado com a ordem em que as informações seriam fornecidas ao público. Segundo o teórico e cineasta russo Vsevolod Pudovkin, ‘uma das características do cinema é a de dirigir a atenção do espectador para os diferentes elementos que se sucedem no desenvolvimento de uma ação’”. – Ana Lúcia Andrade.

“A direção de Hitchcock recusa o registro simplista da ação e adota uma escrita que consiste em privilegiar o personagem pelos olhos de quem as coisas serão vistas (e sentidas) por nós, o público. Esse personagem será filmado constantemente de frente, em plano aproximado, de maneira que nos identificaremos a ele. A câmera o precederá em cada um de seus deslocamentos, mantendo-o em close-up constante na imagem, e, quando ele descobrir algo perturbador, a câmera demorará alguns segundos a mais sobre seu rosto a fim de intensificar nossa curiosidade. Quando tiver medo, partilharemos seu medo, e quando ficar aliviado, ficaremos aliviados, mas… não antes do final do filme! Numa cena complicada e sutil, o ponto de vista poderá mudar, e, nesse caso, deslocaremos nossa participação afetiva de um personagem para outro; o essencial para Hitchcock é incluir-nos, a nós, público, em sua narração, e jamais deixar a ação afundar-se no pântano da objetividade documental ou no areal da reportagem desordenada – o documentário e a reportagem representam para Hitchcock algo como os dois inimigos hereditários do cinema de ficção.” – François Truffaut

REFERÊNCIAS

Entretenimento inteligente. O cinema de Billy Wilder. Ana Lúcia Andrade. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2004.

O prazer dos olhos. François Truffaut. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.

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