Jornada nas estrelas – A série

Jornada nas Estrelas (Star Trek) estreou na TV americana em 1966. A história da série parece uma saga. Foram gravados dois episódios pilotos, o capitão da Enterprise mudou entre um piloto e outro, personagens foram afastados, todo mundo corria contra o tempo nas gravações e um fator decisivo: uma série de ficção científica produzida com verbas irrisórias. Esse detalhe provocou soluções inovadoras, como o teletransporte, os personagens se desintegram na espaçonave e reaparecem no planeta. O recurso economizava a verba de produção necessária para mostrar a viagem no espaço por pequenas naves auxiliares. Todos os planetas visitados pela tripulação são Classe M, mesma atmosfera e condições de vida da Terra. Ninguém precisava de roupas e aparatos especiais, mais economia.

Assistir às viagens da nave estelar Enterprise é entrar num mundo visionário, marcado por três personagens. Capitão Kirk (William Shatner), dividido entre a frieza no comando da nave e as paixões incontidas, próprias de seu espírito romântico. Suas decisões são carregadas de pura intuição. Spock (Leonard Nimoy) nasceu do casamento entre um vulcano e uma humana. Orgulha-se de seu raciocínio lógico, herdado do lado vulcano, de suas decisões frias e racionais. Mas seus melhores momentos são quando ele se deixa levar pela emoção, pelo lado humano, a ponto de simplesmente sorrir. Dr. McCoy (DeForest Kelley), médico, humanista convicto, incapaz de disparar o feiser contra qualquer forma de vida. Suplantar a lógica de Spock é seu desafio e sua maior esperança se resume à palavra humanidade. É o personagem mais carismático, cuja bondade o transforma verdadeiramente em um personagem de ficção.

Durante as três temporadas de Jornada nas Estrelas, esses personagens conduziram episódios memoráveis, revolucionários até para os dias de hoje.

Arena. Kirk e o capitão da nave inimiga são obrigados a duelar sozinhos em um planeta deserto. Ao invés das tripulações entrarem em uma guerra sangrenta, basta os dois capitães se baterem até a morte, quem sobreviver, vence a guerra.

O Inimigo Interior. Defeito no teletransporte duplica o capitão Kirk. Um carrega o lado bom, o outro fica com o lado mau. Descobrem que um não consegue viver sem o outro e precisam se juntar novamente.

Lamento por Adônis. O deus Apolo é abandonado sozinho em seu planeta. Apolo obriga os tripulantes da Enterprise a adorá-lo. Deus não sobrevive sem adoradores.

A Coleção. Os talosianos criam um mundo de ilusões. Tudo que os personagens imaginam se transforma em realidade, os sonhos são reais, os desejos se materializam. Até a mais feia condição humana aparenta, no planeta, pura beleza.

O Espelho. Em universo paralelo, os tripulantes da Enterprise são o reverso, cruéis, déspotas e sanguinários.

E para completar, neste curto espaço para escrever sobre Jornada nas Estrelas, o inesquecível episódio A cidade à beira da eternidade. De volta a um passado distante na terra, o Capitão Kirk conhece o amor da sua vida. No final, para não mudar o rumo da história, ele é obrigado a deixá-la morrer diante de seus próprios olhos.

Mais do que ficção científica, o universo criado por Gene Roddenberry é carregado de poesia.

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