Deslembro

Deslembro trata com sensibilidade da história recente do Brasil que o atual governo insiste em negar: a ditadura militar. A adolescente Joana vive em Paris com a mãe e reluta em voltar ao Brasil após a anistia política. No Rio de Janeiro, ela conhece a avô Lucia e passo a passo vai se entregando as memórias de criança, quando o pai vivia na clandestinidade e acabou preso pelos militares. Foi considerado desaparecido, seu corpo nunca foi encontrado. Um fato atesta a crueldade desta condição: a turma escolar de Joana vai participar de excursão a Ouro Preto; a garota precisa da autorização dos pais, mas como não tem o atestado de óbito do pai é impedida de viajar. 

A narrativa parte das próprias memórias da diretora Flávia de Castro. Em 1972, seus pais tiveram que deixar o Brasil, história retratada no documentário Diário de uma busca (2011). A fotografia é dos pontos de destaque de Deslembro. Em Paris as cores são vibrantes, no Rio de Janeiro a fotografia ganha um tom frio; o tratamento da imagem também remete ao cinema dos anos 70/80. Jeanne Boudier faz sua estreia como atriz, tratando a personagem com as dubiedades próprias da adolescência: revolta, compreensão; carinho e raiva pelos familiares; deslumbre com o novo país, com a descoberta da sexualidade. O tom político ganha força com o padastro chileno e, principalmente, nas memórias da avó Lúcia sobre o filho desaparecido.

Deslembro (Brasil, 2018), de Flávia Castro. Com Jeanne Boudier (Joana), Sara Antunes (mãe), Eliane Giardini (Lúcia). 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s